Cuca Fundida | Livros & Cinema

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Me lembro que antes de começar a assistir de fato os filmes do Woody Allen, eu havia visto esse livro em uma livraria. Mas como eu não tinha nenhuma relação com os filmes dele, só achei interessante que ele também fosse escritor.

Hoje Woody Allen é um dos meus diretores favoritos. Nunca dá errado com os filmes dele, sabe como é? Claro que tem uma coisa ou outra que eu não gosto, alguns são mais engraçados, outros nem tanto, mas enfim, quando estamos sem ideia do que assistir, escolhemos algum dos deles e é sempre bom. Daí que me recordei desse livrinho e fiquei muito curiosa pra ler!

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Deixa eu contar pra vocês, dei gargalhadas com alguns dos textos. Juro! Eu adoro livros que conseguem me fazer rir de verdade! E se você está familiarizado com o estilo do Woody Allen fica ainda mais interessante porque quase é possível ouvir a voz dele enquanto a gente está lendo. Pra mim, cada conto virava um filminho na minha cabeça.

A edição que eu tenho é da L&PM Pocket e é bem curtinho, 152 páginas, mas tem 17 contos! Todos eles muito similares ao trabalho que o Woody já fazia antes de ser cineasta. Ele trabalhou como humorista durante um tempo e depois passou a escrever para revistas e jornais nos EUA, quando seus primeiros filmes começam a fazer sucesso.

Os contos tem temáticas muito variadas, vai de humor judaico, sexo, filosofia, até o Drácula (!), tudo isso contado daquele jeito dramático-trágico-cômico que é praticamente a marca registrada dele, né?

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Cuca Fundida foi lançado em 1971 e o que mais achei legal de observar foi que algumas situações que aparecem nos contos, estão presentes em vários filmes. Por exemplo, o conto chamado Os Anos 20 Eram uma Festa, é praticamente o filme Meia-Noite em Paris, com todas as personalidades envolvidas como o Hemingway, Dali, Man Ray e cia. No conto Minha Filosofia, o personagem resolve escrever seus próprios tratados filosóficos, mas tem muito de filosofia ao longo do livro de forma geral. E no próximo filme dele, Homem Irracional, que ainda não foi lançado, o personagem principal é um professor de filosofia, então estou curiosa pra ver se tem algo a ver com o conto.

Enfim, pra quem gosta dessa comicidade trágica, indico demais esse livro. Não tem que conhecer nada de Woody Allen pra ler, claro. Se ele não fosse cineasta, acho que já teria uma bela carreira como escritor. Ele tem também dois outros livros, Sem Plumas e Que loucura!, e já estou coçando pra ler!

(Esse post faz parte do projeto Livros & Cinema. Clique aqui para conhecer!)

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Em cartaz #32: Kino Babylon

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Esses cartazes foram feitos pelo designer Luca Bogoni para o cinema Kino Babylon que fica em Berlin. Luca disse em seu próprio site que ao planejar esta campanha para o Kino Babylon, ele pensou o cinema como uma Torre de Babel dos dias modernos, um lugar de encontro não só de filmes, mas também de uma comunidade eclética com interesses diversos.

É uma pena que não tenha encontrado a imagem em melhor resolução, mas acho que vocês conseguem ver as pessoinhas e elementos que ele colocou compondo essa “torre”.

Mas isso tudo aí eu só fiquei sabendo depois. Os cartazes me chamaram atenção mesmo porque tem a cara de quatro diretores que estão na minha lista top 10 da vida. E as frases que compõe os cartazes foram ditas por eles mesmos. Eu não entendo alemão e muito pouco de francês, então vou colocar uma tradução aqui pra quem também está no mesmo barco!

Godard diz: “É preciso confrontar ideias vagas com imagens claras”. Woody Allen diz: “Deus está morto, Marx está morto e eu também não me sinto muito bem”. Polanski diz: “Um filme deve fazer você esquecer que está sentado em um cinema“. E Hitchcock, com cara de fanfarrão, diz: “Existe algo mais importante do que a lógica, a imaginação”.

Eu gostei bastante da ideia. De tudo, aliás. Da fonte, do contraste do rosa com o preto e branco e das fotos escolhidas. Fora que foi uma forma de dar visibilidade e de apresentar os diretores para quem passou pelo cinema e não os conhecia.

Campanhas bonitas como essas por aqui, por favor!

(O Kino Babylon é um dos cinemas mais antigos de Berlin. Ele começou a funcionar em 1929 e atravessou todos esses anos firme e forte, mesmo com as guerras e as situações caóticas as quais a Europa esteve submetida. Encontrei esse artigo bem legal para quem se interessar pela história!)

Filmes da semana #11

filmes da semana

Halloween (John Carpenter, 1978)

Na semana do Halloween, decidi assistir com minha irmã esse super clássico do terror. Eu já conhecia a fama e já conhecia até o personagem, que usa aquela máscara medonha branca, mas não sabia nada sobre a história do filme.

Michael Meyers é um psicopata que fugiu da instituição em que estava internado. Ele roubou um carro e foi para a cidade onde morava quando criança. Há 15 anos, ele havia matado sua própria irmã e resolveu voltar ao lugar para retomar seu terrorismo, exatamente no dia 31 de outubro.

É um filme de terror da década de 70, então tem todos aqueles clichês e estética que os filmes da época tinham. Carpenter foi muito bem sucedido em criar aquele clima de suspense perfeito que nos faz levar susto no final ou então que nos deixa com raiva das personagens porque como elas podem ser tão estúpidas e fazer exatamente aquilo que vai levá-las em direção a morte, hahaha.

Recomendo demais tanto para quem gosta e quem não gosta de filmes de terror.. É um clássico e é bem light. Não nem nada de tão horrível ou nojento nele, podem confiar.

 *

 Scoop (Woody Allen, 2006)

O que pode dar errado quando se escolhe assistir qualquer filme do Woody Allen? Até hoje, comigo, nada. Scoop fez algumas horas de um final de semana passado mais divertidas e eu fico cada vez mais impressionada com a capacidade de escrever bons diálogos que o Woody Allen tem.

Sondra, uma estudante de jornalismo, acaba descobrindo um furo de reportagem sobre a morte recente de um jornalista que poderia mudar sua carreira. Como ela descobriu? Ela estava participando de um truque em um show de mágica quando o próprio fantasma do jornalista apareceu e conversou com ela.

Além de todo o bom humor, o que mais me fez gostar do filme foi como ele conseguiu misturar as situações fantásticas e paranormais com todo o resto. E o filme não é sobre fantasmas nem nada do tipo, é sobre o tal furo de reportagem. Mas todos os elementos ficam muito bem balanceados e minha atenção sobre a história não foi desviada por causa do acontecimento de algo surreal. Imagino que não seja nada fácil escrever um filme assim.

 *

 A Bela Junie (La Belle Personne, Christophe Honoré, 2008)

Digamos que se você gosta de filmes francês ou do Louis Garrel ou da Léa Seydoux, esse filme é quase uma obrigação.

Uma garota nova chega na escola. Todos querem sair com ela, mas ela escolhe o mais tímido de todos. Além disso, acaba se envolvendo com um professor. Essa história não é novidade. Existem vários filmes com a temática parecida e minhas palavras não fazem jus ao que é o filme de fato.

Foi interessante porque depois de assistir Palo Alto, eu acabei lembrando de La Belle Personne. Acho que são bem parecidos, se passam no mesmo ambiente, rodeiam os mesmos assuntos que envolvem a adolescência, os problemas amorosos, o relacionamento com um professor, mas, claro, de jeitos muito diferentes.

La Belle Personne tem aquele quê de filme francês, meio silencioso, meio poesia, revela informações pouco a pouco e oferece uma grande abertura de sentido. Bonito demais e gostoso de assistir.

*

Esses foram alguns dos filmes legais que assisti nas últimas semanas. E vocês, o que tem visto de bom?

Bom final de semana, gente!

Filmes da semana #4

Esse domingo frio e chuvoso de JF não pede outra coisa senão um filminho e um cobertor! Aqui vão minhas dicas pra esse fim de semana que ainda não acabou!

 

Camelos Também Choram (Byambasuren Davaa, Luigi Falorni , 2003) – trailer

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Acho que as vezes ficamos tão imersos na nossa própria realidade que esquecemos da existência de tantos lugares diferentes e tantas formas diferentes de viver nesse mundo. Esse foi meu primeiro pensamento quando comecei a assistir esse filme.

Os Camelos Também Choram se passa no ano de 2003 em Gobi, uma região desértica da Mongólia. Em um local afastado da cidade vive uma família, acho que posso chamar, de pastores. Eles criam camelos, ovelhas e outros animais e vivem daquilo que cultivam. O filme captura um um momento específico dessa família: uma camela tem um parto muito complicado e depois que o bebê camelo nasce, ela passa a rejeitá-lo. Acompanhamos, então, o esforço da família em unir mãe e filho camelos.

O filme tem imagens muito bonitas e é bem impressionante observar a forma como aquela família vive em pleno ano de 2003, com todos os seus rituais e totalmente afastada da tecnologia. Por outro lado, o filme também transita nessa linha tênue entre o documentário e a ficção, o que deixa tudo bem mais instigante, mas não vou falar mais nada pra não estragar a experiência!

 

O Substituto (Detachment, Tony Kaye, 2011) – trailer

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Não, esse não é um filme pra relaxar comendo pipoca. É um filme pesado, denso e que não vai fazer você rir. Adrian Brody, esse ator foda das galáxias, faz o papel de Henry Barthes, que escolheu ser professor substituto como profissão. Assim ele nunca fica tempo suficiente para criar laços com os alunos ou mesmo com os colegas.

O que realmente me fez gostar desse filme foi o fato de que, sim, é um filme sobre escola, sobre relação professor-aluno, mas ele vai além disso. Não sei vocês, mas tenho a impressão de que a maioria dos filmes cujo tema rodeia em torno da escola, são muitos otimistas e retratam os professores como heróis que salvam as crianças e a escola como o lugar ideal que funciona bem quando professores e alunos funcionam bem.

Detachment é bem pessimista, na minha opinião, e faz a gente repensar o que é a escola, pra que ela serve e que pessoas fazem parte dela. Além disso, retrata o professor como um ser humano que tem tantos problemas na vida quanto outra pessoa qualquer e esses problemas eventualmente pesarão sobre o trabalho dele na escola.

Enfim, é bem pesado, mas muito bom. E o Adrian Brody dá um show.

 

Hannah e suas irmãs (Hannah and her sisters, Woody Allen, 1986) – trailer

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Mas se sua intenção é só relaxar mesmo, nada melhor do que um Woody Allen, certo? Não acho que esse seja um filme exatamente engraçado, mas ele trata as questões com muito bom humor, então tudo fica mais leve.

Eu consigo ver esse filme como uma confluência de quatro histórias contadas ao mesmo tempo que tem como referência Hannah, interpretada pela linda Mia Farrow. As três irmãs são Hannah, uma atriz consagrada e talvez a pessoa mais centrada e calma do filme, Lee, casada com um pintor velho, tratada como criança por ele e infeliz com essa sitação e Holly, ex-viciada em cocaína que tenta colocar a vida nos eixos. Junto com a história dessas personagens, temos ainda Elliot, marido de Hannah que está apaixonado por Lee, e Mickey – interpretado pelo Woody Allen – ex-marido de Hannah, um hipocondríaco, cismado que está com uma doença grave.

Ufa, haha. São muitos personagens e muitas histórias que se cruzam pra um filme de menos de duas horas! Mas é leve e divertido!

***

E vocês, o que tem assistido? : )

Bom finalzinho de semana pra todo mundo!

5 filmes para assistir numa segunda-feira chuvosa

Amigos e amigas, amanhã estarei partindo para Curitiba! Yay! Estou indo para apresentar um trabalho e, CLARO, para conhecer essa cidade tão bem falada. Se você mora lá ou se já visitou, vou amar se me der algumas dicas de lugares para ir ;)

A questão é que o dia voou e tive mil coisas para fazer. Na realidade, ainda nem terminei a mala. Mas hoje aqui em JF o clima está pra ficar debaixo das cobertas assistindo filme. Tá frio e chovendo fininho, aquela chuva chata, sabe?

Se eu pudesse teria passado a tarde no sofá, mas como não pude, resolvi deixar aqui uma listinha dos filmes que eu escolheria para assistir num dia chatinho como esse.

1 – Donnie Darko (Richard Kelly, 2001)

Super combo: Jake Gyllenhaal + teorias sobre viagem no tempo + trilha sonora EXCELENTE. Essa seria minha primeira escolha. Donnie Darko é daqueles filmes sombrios e enigmáticos. Assim que terminei de assistir pela primeira vez fiquei tipo: ????? meudeus o que acabei de ver, volta tudo. E sim, no dia seguinte quis assistir de novo porque não dá pra ver uma vez só.
Não vou contar nada. Saca o trailer:

2 – O Bebê de Rosemary (Roman Polanski, 1968)

Bom, acho que vou sempre conseguir enfiar esse filme em qualquer lista que eu fizer, haha! É um dos meus favoritos do Polanski e perfeito se você está com vontade de sentir medo! Começa com aquela velha história de um casal que se muda para uma casa nova. Então, coisas estranhas começam a acontecer… Um clássico e ainda tem Mia Farrow gatinha.

3 – Dirigindo no Escuro (Woody Allen, 2002)

Mas você não quer sentir medo, nem ficar confuso, apenas relaxar e se divertir, então recomendo um Woody Allen. (Quase) certeza de dar certo, né? Dirigindo no Escuro (Hollywood ending, em inglês) é sobre um diretor de cinema que de repente fica cego no meio da gravação do filme.

4 – Pierrot le fou (Jean-Luc Godard, 1965)

Se você quer esquecer que está chovendo, Pierrot le fou é ótimo. Mais da metade do filme se passa na praia, com Anna Karina dançando saltitante de vestidinho por lá (já falei um pouco sobre ele aqui). Mas é Godard, né? Não vá esperando Woody Allen. Não vou falar do filme porque, além de mandar bem no próprio filme, Godard mandava bem nos trailers também s2:

5 – Corações e Mentes (Peter Davis, 1974)

Esse é considerado um dos documentários políticos mais importantes da história do cinema. É um filme sobre a guerra do Vietnã, que ganhou o Oscar de Melhor documentário em 75. É pesado, hein, gente. Não é filme pra relaxar, é pra chorar.

Por algum motivo obscuro, não consegui encontrar nenhum trailer : O Mas deixo aqui um canal que disponibilizou o filme todo!

Bom, meu povo, espero que tenham gostado das dicas. Não sei se volto a postar aqui até o fim de semana.

Me desejem boa viagem \o/ Até a próxima!