As cores de Shallow Grave

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David Stephens, Juliet Miller e Alex Law são amigos que dividem um apartamento em Edimburgo. Os três estão em um processo de entrevistas para encontrarem mais uma pessoa para dividirem a casa. De uma forma cruel e cômica, eles acabam recusando várias das pessoas, até que decidem oferecer a vaga para um homem mais velho chamado Hugo.

Depois de um tempo que ele já havia se mudado, os três notam que Hugo não saía do quarto. Como a situação estava estranha, eles decidem entrar para ver o que estava se passando e acabam descobrindo Hugo morto, pelado, na cama. Eles vasculham as coisas do cara e acabam descobrindo uma mala com muito dinheiro.

Esse é uma sinopse do filme Shallow Grave – ou Cova Rasa, em português – dirigido por Danny Boyle. Mais do que isso não vou contar. Agora vocês vão ter que assistir. E acrescento: vale a pena.

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Logo no início do filme, nos primeiros planos, já dá pra ter uma ideia do trabalho detalhado e preciso da direção de arte. As cores são muito bem trabalhadas e a sensação que eu tenho é que, de fato, todos os elementos foram pensados para serem daquela cor e estarem naquela posição.

Num primeiro momento, achei o filme bem colorido. Depois de algum tempo assistindo, fui percebendo que havia uma paleta de cores fixas com algumas pequenas variações.

Verde, azul, amarelo e vermelho sempre estão presentes em todos os planos de alguma maneira. Acho que qualquer um consegue notar bem facilmente isso. As cores são muito vibrantes e me lembram giz de cera, sabe? Parecem as cores básicas daquelas caixinhas que vinham com 6 ou 8 gizes.

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É legal observar a forma como eles brincaram com as cores. Se vocês repararem bem, tem sempre uma cor que cria um contraste com as outras e cria um ponto de atenção na cena. Num plano em que predominam as cores amarelo e verde, por exemplo, tem a almofada vermelha discretamente aparecendo. Nas cenas da cozinha, que é um ambiente todo amarelinho bem claro, sempre há um objeto que quebra esse tom pastel, frutas de cores vibrantes, as plantas ou um objeto de decoração. Nesse plano da biblioteca isso fica bem marcante com os abajures verdes contrastando com os tons marrons que predominam o ambiente.

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Tanto eu como o Dudu, depois de assistirmos o filme, ficamos com a sensação de ele se passa dentro de uma casa de bonecas. É difícil explicar da onde veio essa impressão, mas temos algumas pistas sobre certos aspectos do cenário e da iluminação contribuem para isso.

O apartamento tem um pé direito muito alto e os cômodos são bem amplos. Com os enquadramentos que o diretor fez em alguns planos – como aqueles primeiros da entrevista – os objetos de cenas e os próprios atores parecem bem pequenos em relação ao ambiente. E quando a gente brinca de casinha é meio assim, né? Usamos brinquedos de diferentes tamanhos, as vezes muito menores ou muito maiores do que deviam. Então, acho que essa característica criou um aspecto meio irreal nas cenas.

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Bom, é uma comparação misteriosa, não sei da onde veio essa sensação de casa de bonecas. Desconfio que sejam essas as razões. Se alguém mais consegue pensar em outras razões, me conta aí!

Enfim, eu acho fascinante esse trabalho! A diretora de arte de Shallow Grave se chama Zoe MacLeod, mas não conheço nenhum dos outros filmes em que ela trabalhou. De qualquer forma, mandou bem, Zoe! Pensar nas cores, na composição do cenário, em como a iluminação influencia nisso tudo… deve ser delicioso! Principalmente em um filme como esse, em que a parte da arte ganhou tanto destaque.

Por hoje, é isso tudo! Espero que tenham gostado da dica! Assistam, hein, vale a pena!