Uma semana de festival

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Pois é, eu já falei bastante por aí, mas essa semana (de 26 a 31/10) tá rolando aqui em JF o Primeiro Plano, que é um festival de cinema muito legal e muito querido. Eu já participo desde 2008, tanto como realizadora quanto como parte da equipe.

Já é a quarta edição que eu trabalho cuidando do voto do público, que é uma função super interessante. Tenho que produzir as cédulas, depois contabilizar todos os votos e dar o resultado dos curtas mais votados no dia da premiação. É bem emocionante! É também muito legal ficar nesse background e observar as sessões a partir do olhar do público. Os resultados são sempre surpreendentes. Nem quando a gente acha que tem um filme que é sem dúvidas realmente muito bom, é óbvio que ele seja o vencedor… é bem inesperado.

O festival – assim como eventos voltados pra outros tipos de criações artísticas – é um espaço bem especial e que tem sido muito difícil de manter por conta da dificuldade de se conseguir financiamento. É uma pena que a cultura esteja sendo deixada de lado por aqui, né, gente? Mas ainda assim fico feliz de ver que as sessões tem ficado bem cheias. E, bom, também depende em parte de nós que esses espaços continuem existindo, que sejam frequentados e que recebam a devida importância que tem.

É por causa – uma ótima causa – disso tudo que o blog está meio abandonadinho esses dias. Mas descobri o snapchat recentemente e tenho mostrado algumas coisas por lá (é carolcaniato). Então, quem quiser acompanhar, fique à vontade!

Sobre um prêmio

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E aí que depois de 7 anos participando do festival na minha cidade, depois de mais de 2 anos de amizade com pessoas muito especiais, depois de meses trabalhando em um roteiro, produzindo, gravando, editando, a gente ganhou um prêmio!

Vocês se lembram do post sobre o nascimento do curta? Pois é, acabou que com muito esforço e dedicação de todo mundo, Marx Pode Sair ficou pronto mesmo e acabou ganhando o Prêmio Incentivo no festival de cinema Primeiro Plano que acontece há anos aqui em Juiz de Fora. A competição desse prêmio é entre curtas feitos por universitários e um júri escolhe o merecedor.

Nós ganhamos uma grana e também a possibilidade de empréstimos de equipamentos legais para a produção de outro curta. Essa é nossa contrapartida, temos que produzir um filme que será exibido na abertura do festival nesse ano! Olha que chique!

Trabalhar com cinema no Brasil é bem complicado pra quem quer fazer algo autoral. E é por isso que nós não trabalhamos com cinema, haha! Nós somos um grupo de amigos que simplesmente tem vontade de fazer filmes, de colocar pra fora nossas ideias e ver o que dá. E isso não significa que não é e que não dê trabalho, viu?

Nosso curta foi feito com muito amor, muito vinho, muita pizza da Sadia e trinta reais de cada um pra pagar o lanche para os atores, que foram maravilhosos e decidiram embarcar com a gente num projeto que, tenho certeza, pareceu sem pé nem cabeça no começo. E o fato de ter ganhado o prêmio com esse curta é muito significativo porque provou pra mim que podemos continuar fazendo desse jeito.

Pra completar a felicidade, nosso filme foi selecionado para a Mostra de Cinema de Tiradentes e vai ser exibido hoje na Mostra Cena Mineira. Êta lindeza!

Quando o curta estiver online eu mostro pra vocês. Enquanto isso, vocês podem acompanhar o caminho que Marx Pode Sair tem trilhado no nosso blog. Lá tem mais detalhes, mais fotos e mais vídeos.

Obrigada a todo mundo que apoiou a gente por aqui! Não poderia deixar de compartilhar esse momento especial com vocês!

Eles Voltam: o melhor filme de todos os tempos da última semana

“É um filme sobre gente, sobre momentos e sobre pequenos encontros que todas as pessoas passam. Sugiro que prestem mais atenção a esses momentos”, essas são as palavras de Marcelo Lordello, o diretor do longa Eles Voltam. Parece uma mensagem um tanto simples e generalista. Mais simples ainda é a história que o filme conta: Cris e seu irmão Peu são deixados na beira da estrada por seus pais como forma de castigo. Eles tem duas opções, ficar ali esperando ou arrumar uma maneira de voltar para casa.

Toda essa simplicidade foi muitíssimo bem trabalhada por Marcelo, que fez um dos filmes mais bonitos que vi nos últimos tempos. Ele passou no Primeiro Plano (falei um pouco do festival no último post!) e fiquei feliz de ter assistido. Mas vai estrear em circuito comercial \o/ Na verdade, eu já tinha ouvido falar do filme porque ele ganhou muitos prêmios. Ganhou melhor longa de ficção, melhor atriz e melhor atriz coadjuvante no Festival de Brasília.

Prêmios merecidíssimos. Estou boquiaberta até agora com a atuação. Malu – a protagonista – era filha de alguém que o diretor conhecia e foi assim que se encontraram. Ela tinha doze anos quando topou fazer o filme. Quero dicas da direção de atores, gente, haha. E isso não só por conta da protagonista. Pelo que li rapidamente nos créditos, parece que eles também gravaram num assentamento do MST e certamente aquelas pessoas também não era atores profissionais e é impressionante a naturalidade e a realidade que eles conseguiram passar no filme.

Eles Voltam é de Pernambuco, lugar de onde tem saído alguns destaques do cinema nacional atualmente, como Kleber Mendonça, do premiadíssimo O Som ao Redor, e os meninos do Alumbramento, do Estrada para Ythaca. O que mais me chama atenção é que o filme foi feitos com poucos recursos – a ideia inicial era que fosse um curta-metragem – mas isso não fica aparente de jeito nenhum.

Isso, para mim, afasta e reforça duas ideias ao mesmo tempo. A primeira é que é uma besteira isso de que agora como todo mundo tem câmera, todo mundo filma e fotografa o tempo todo, perdeu-se a qualidade porque afinal ninguém pensa mais antes de apertar o botão, etc. A segunda é que um bom equipamento e técnica podem ajudar a fazer o filme ficar melhor, mas não é determinante de um bom filme. Esse ano no festival vi curtas de estudantes das melhores faculdades de cinema do Brasil, com a técnica impecável e atores Globais, mas que no final a gente falava: nhé.

Porque o que importa é mais do que uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Marcelo Lordello teve um olhar, uma sensibilidade e disse algo as pessoas – pelo menos para maioria das que eu conversei sobre o filme. Não era nada espetacular, extraordinário, com uma super lição de moral. Foi espetacular, sim, mas aquela simples história contada com tanta sensibilidade. E aí, então, vem a técnica, planos lindos, movimentos de câmera precisos, diálogos sem mimi e a atuação que não canso de repetir que foi excelente.

Não sei como é o processo criativo de vocês – seja para criar qualquer coisa – e nem como foi o do diretor, mas estou cada vez mais convencida de que as melhores obras são aquelas que a gente percebe a mão de quem a fez. O filme não é só um filme. Ele foi feito por alguém que realmente acreditava naquilo. E sabemos disso porque percebemos que tem algo além daquela história e daqueles enquadramentos e diálogos. Percebemos que é parte de alguém.

Muitos podem dizer que isso é subjetivo e que cada um faz uma relação com o que cria/consome. Pode ser que algo que me toque não vá tocar você, isso é totalmente verdade. Mas a partir daí, então, teríamos que falar sobre intensidades de… intensidades. Eles Voltam, para mim, está no topo da lista dos filmes mais intensos, levando em conta tudo que eu falei aí, que assisti nesse ano. E eu espero, sinceramente, – só pra não perder a piada – que eles voltem.

Fonte: Diário de Pernambuco

Primeiro Plano + Curta da vez

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Hoje começa o Primeiro Plano – Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades. Pra quem não é daqui, o festival já está na sua 12 edição e este traz o tema “Futuro agora: que “futuro” é esse que já bate à porta do cinema brasileiro?”. Eu participo como realizadora desde 2007, quando entrei na faculdade e comecei a fazer uns curtinhas. E desde 2010, faço parte da equipe do festival. Aqui no site tem todas as informações, sessões, filmes selecionados, oficinas e etc.

Esse ano vou ficar como assistente da oficina de direção de arte. Fiquei super feliz porque tenho muito interesse na área. Espero poder compartilhar com vocês na semana que vem as coisas legais que eu aprender por lá ;)

Hoje tem a abertura do festival no Cine Theatro Central. Se você é de JF, ainda dá tempo de pegar seu convite na página do festival no facebook. É de graça!

E já que estamos falando de cinema e de futuro – e pra não perder o costume – fica a dica desse curta que vi hoje de manhã. iDiots, como é bem fácil de perceber, é um curta que fala sobre a obsolescência programada e me parece que foi feito em homenagem aos applemaníacos : D Desculpa aí se você é, mas achei o curta excelente e totalmente trú, hehe! É bem curtinho, gente! Assistam e depois me contem o que vocês acham sobre isso!

 

Fonte: Geeks and Com’