O vermelho em Kumiko, a caçadora de tesouros

Se tem uma coisa que me fascina demais no cinema é a forma como as cores são trabalhadas. Não só sobre como é definida a paleta de cores, como serão os figurinos, cenários, etc… Mas a maneira como uma cor pode ajudar a contar a história. E isso foi uma das primeiras coisas que pensei depois que o filme Kumiko terminou.

Mas tudo bem, vamos por partes. Kumiko, a caçadora de tesouros é um filme de 2014 escrito e dirigido pelos irmãos Nathan e David Zellner. Ele conta a história de Kumiko, uma mulher japonesa que um dia descobre uma fita VHS do filme Fargo. Após assisti-lo, Kumiko passa a acreditar que ele mostra a localização de um tesouro escondido nos EUA e se torna seu objetivo encontrá-lo.

Gostei muito da história, achei bem original. Caçar tesouros, seja ele qual for, não é um tema fora do comum, mas acredito que o filme se tornou interessante muito por causa de Kumiko. Ela é uma personagem interessante. Ao mesmo tempo que é delicada e inocente, não larga mão de sua obsessão e tem uma coragem danada pra enfrentar os problemas que essa caçada coloca na sua frente.

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Pois bem, além da história, me chamou muito atenção como o vermelho é uma cor guia durante todo o filme. Parece meio clichê, o vermelho sempre é utilizado quando se quer destacar algo (claro, quando ela não é já a cor predominante).

Mas, aos meus olhos, o vermelho nesse filme quase que se torna um personagem. A cor, além de fazer o papel de destacar Kumiko do restante dos ambientes, com seu casaco vermelho, meio que condensa elementos importantes da história: Fargo, seu objetivo, o tesouro, mas também sua origem, sua identidade e o destino de sua vida. Aquilo que pode salvá-la, no meio de uma cidade coberta de gelo, e aquilo que pode levá-la

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Acho que as imagens acabaram ficando um pouco pequenas por causa do layout do blog (vocês podem clicar pra ficarem maiores e assistirem ao trailer), mas espero que tenham conseguido entender o que eu descrevi. Apesar de ser chamativo, o vermelho se tornou um pontinho sutil no filme, que vai marcando os passos de Kumiko na jornada e não nos deixa esquecer quem ela é e o que está perseguindo.

E o filme é bonito demais, gente! Acho que já deu pra notar pelos frames, né? E fica na medida certa entre o drama e uma super tensão da aventura de Kumiko. Quando eu crescer quero fazer filmes assim!

Site oficial do filme.

Um pontinho rosa

Eu tenho essa mania de ir colecionando fotos, imagens, frames de filmes, pôsteres e etc que eu acho bonitos. De repente, de tanto olhar pra eles, ou por alguma coisa estranha que acontece no meu cérebro, algumas dessas imagens começam a fazer sentido juntas, como se fizessem parte do mesmo universo, e começo a imaginar histórias a partir delas.

Foi isso que aconteceu com essas aí. Eu nem gosto de cor-de-rosa, não sei porque fui atraída por elas! Mas enfim, só sei que pra mim funciona como um ótimo exercício de criatividade e imaginação, além de ir colecionando inspirações pra… qualquer coisa! Mas não, não me peçam pra organizar meus pensamentos e contar que coisas fico imaginando porque aí já é muito! Cada hora pipoca uma coisa diferente na minha cabeça e eu provavelmente deveria anotar tudo isso, né? Quem sabe surge uma boa ideia dessas loucuras da minha cachola!

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Fez sentido pra vocês? Sou a única que faz isso? Sou louca? Hahaha!

Não sei, gente, só sei que acho incrível como um pontinho (ou um pontão!) de cor aqui e ali fazem toda a diferença na composição final. E valeu a pena dar uma chance pro rosa na minha vida no fim das contas.

 

(Cliquem nas fotos para os links originais o/)

Paleta pastel candy color baby

Não sei como definir essas cores, acho que pode ser pastel, tem gente que fala candy color e geralmente se fazem referências com cores de coisinhas de bebê. Mas a verdade é que nos últimos tempos percebi que eu juntei várias ilustrações e fotografias que tem predominantemente tons pastéis.

É engraçado, porque nunca fui de gostar de rosinha, azulzinho… Acho que não tenho nada na minha cassa dessa cor. Mas por algum motivo, essas cores tem me chamado atenção recentemente e ficaram especialmente bonitas nessas ilustrações. Tanto que resolvi fazer algumas paletas.

Adoro isso porque a gente descobre como algumas cores que nunca pensamos que fossem ficar bem juntas podem fica harmônicas!

Aguas de maio – Ericka Lugo

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Alice in WonderlandGrace Cho

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CactusIrene Cabrera

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As cores de Shallow Grave

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David Stephens, Juliet Miller e Alex Law são amigos que dividem um apartamento em Edimburgo. Os três estão em um processo de entrevistas para encontrarem mais uma pessoa para dividirem a casa. De uma forma cruel e cômica, eles acabam recusando várias das pessoas, até que decidem oferecer a vaga para um homem mais velho chamado Hugo.

Depois de um tempo que ele já havia se mudado, os três notam que Hugo não saía do quarto. Como a situação estava estranha, eles decidem entrar para ver o que estava se passando e acabam descobrindo Hugo morto, pelado, na cama. Eles vasculham as coisas do cara e acabam descobrindo uma mala com muito dinheiro.

Esse é uma sinopse do filme Shallow Grave – ou Cova Rasa, em português – dirigido por Danny Boyle. Mais do que isso não vou contar. Agora vocês vão ter que assistir. E acrescento: vale a pena.

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Logo no início do filme, nos primeiros planos, já dá pra ter uma ideia do trabalho detalhado e preciso da direção de arte. As cores são muito bem trabalhadas e a sensação que eu tenho é que, de fato, todos os elementos foram pensados para serem daquela cor e estarem naquela posição.

Num primeiro momento, achei o filme bem colorido. Depois de algum tempo assistindo, fui percebendo que havia uma paleta de cores fixas com algumas pequenas variações.

Verde, azul, amarelo e vermelho sempre estão presentes em todos os planos de alguma maneira. Acho que qualquer um consegue notar bem facilmente isso. As cores são muito vibrantes e me lembram giz de cera, sabe? Parecem as cores básicas daquelas caixinhas que vinham com 6 ou 8 gizes.

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É legal observar a forma como eles brincaram com as cores. Se vocês repararem bem, tem sempre uma cor que cria um contraste com as outras e cria um ponto de atenção na cena. Num plano em que predominam as cores amarelo e verde, por exemplo, tem a almofada vermelha discretamente aparecendo. Nas cenas da cozinha, que é um ambiente todo amarelinho bem claro, sempre há um objeto que quebra esse tom pastel, frutas de cores vibrantes, as plantas ou um objeto de decoração. Nesse plano da biblioteca isso fica bem marcante com os abajures verdes contrastando com os tons marrons que predominam o ambiente.

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Tanto eu como o Dudu, depois de assistirmos o filme, ficamos com a sensação de ele se passa dentro de uma casa de bonecas. É difícil explicar da onde veio essa impressão, mas temos algumas pistas sobre certos aspectos do cenário e da iluminação contribuem para isso.

O apartamento tem um pé direito muito alto e os cômodos são bem amplos. Com os enquadramentos que o diretor fez em alguns planos – como aqueles primeiros da entrevista – os objetos de cenas e os próprios atores parecem bem pequenos em relação ao ambiente. E quando a gente brinca de casinha é meio assim, né? Usamos brinquedos de diferentes tamanhos, as vezes muito menores ou muito maiores do que deviam. Então, acho que essa característica criou um aspecto meio irreal nas cenas.

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Bom, é uma comparação misteriosa, não sei da onde veio essa sensação de casa de bonecas. Desconfio que sejam essas as razões. Se alguém mais consegue pensar em outras razões, me conta aí!

Enfim, eu acho fascinante esse trabalho! A diretora de arte de Shallow Grave se chama Zoe MacLeod, mas não conheço nenhum dos outros filmes em que ela trabalhou. De qualquer forma, mandou bem, Zoe! Pensar nas cores, na composição do cenário, em como a iluminação influencia nisso tudo… deve ser delicioso! Principalmente em um filme como esse, em que a parte da arte ganhou tanto destaque.

Por hoje, é isso tudo! Espero que tenham gostado da dica! Assistam, hein, vale a pena!

Em cartaz #22: Laurent Durieux (e resultado do sorteio)

Laurent Durieux é mais um artista que descobri sem querer nessa internet sem fim. A princípio, tinha visto e gostado das versões de cartazes para filmes do Hitchcock. Depois, descobri no site de Durieux mais um monte de cartazes legais.

O que me chamou atenção logo de cara foi a forma que ele trabalha as cores e os contrastes nos desenhos. Ele consegue misturar tons bem escuros com cores pastéis e neon, o que resulta em desenhos super contrastados. Com isso, ele consegue também criar focos de atenção nos cartazes de um jeito mais bonito.

Selecionei alguns dos que gostei mais pra mostrar aqui. O que achei legal também é que apesar da repetição desse estilo contrastado, ele trabalha com diferentes cores e formatos, então os cartazes são bem diferentes entre si.

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O que gostei demais também foi ter encontrado diferentes versões para o mesmo cartaz que o próprio Laurent disponibilizou no site pessoal dele. Dá uma sensação de estar tendo acesso ao background da criação, sabe? Talvez ele tenha mantido as diferentes versões porque gostou da duas e não soube ou não quis escolher. Esse momento de decisão sempre é difícil e dá pra entender perfeitamente, né? As cores influenciam muito e podem acabar dando tons diferentes no resultado final.

Pessoalmente, desses aqui abaixo, gostei mais das segundas versões dois dois. Adorei principalmente a paleta de cores do último. Essa combinação de laranja, lilás e verde ficou bonita demais da conta!

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Para conhecer mais trabalhos do Laurent, é só acessar o site pessoal ou então o perfil dele no site Repostered, que foi de onde peguei algumas dessas imagens.

E vocês, curtiram, acharam legal, acharam feio? Contaí!

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Resultado do sorteio dos marcadores do Van Gogh!

E os ganhadores foram: Camila Faria / Flaviele (flaviele.blogspot.com.br) / Brunna (dobrodametade.com.br) / Ju Regis / Olivia Alves / Camila Camacho / Yule Barbosa / Ferds (malditovivant.net) :D

(Para ver os prints do sorteio, clique aqui e aqui. Se em uma semana alguém não enviar o endereço para entrega dos marcadores, vou sortear outro participante, ok? Pode entrar em contato pelo facebook, twitter ou pelo email umacadeiraporfavor@gmail.com)

Fico feliz que pessoas queridas tenham ganhado! Obrigada por participarem, gente. Em breve rola outro sorteio por aqui!

As cores das flores

Apenas flores delicadas e cores lindas pra inspirar nosso domingo!

Copiei a Thamires e resolvi colocar as referências das cores nesse tipo de post. Assim fica fácil pra quem decidir brincar um pouco com elas.

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Todas as imagens são do Pinterest. Apareçam por lá pra gente trocar figurinha! (:

As cores no cinema #1: Paleta de cores em Castello Cavalcanti, de Wes Anderson

Como disse no post sobre o figurino do Bebê de Rosemary, a parte que mais gosto na produção de um video, seja ele qual for, é a direção de arte. E acho que comecei a gostar porque é justamente a função que lida com as cores!

Como muitos de vocês sabem, não sou formada em cinema, praticamente tudo o que sei na área aprendi estudando sozinha. Resolvi, então, começar uma sessão aqui no blog pra falar sobre as cores no cinema e compartilhar com vocês o que ando aprendendo!

Desde que encontrei o site Movies in Color – falei dele aqui! – comecei um exercício de reparar nas cores dos filmes, fazendo uma paleta mental. Eu acho que é um ótimo exercício porque você começa a treinar o seu olhar para ver esses detalhes e com o tempo a gente vai sacando como as cores ajudam a compor o ambiente, a destacar objetos, personagens, etc.

Resolvi, então, fazer pela primeira vez uma paleta de cores de verdade. Pra começar, não poderia ter escolhido outro, haha! Wes Anderson, claro, e esse curtinha que ele fez pra Prada no ano passado!

Escolhi o Wes Anderson exatamente porque ele é mestre pra trabalhar com as cores, né? Todos os seus filmes são muito coloridos e seguem a paleta a risca.

O que eu fiz foi bem simples. Selecionei 4 frames do curta: 3 de momentos bem diferentes e um em que o plano fosse mais aberto pra pegar a maior quantidade de ambientes possíveis. Então, joguei no Photoshop e passei longos minutos olhando pras fotografias e tentando identificar as cores que mais se sobressaíam.

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Insipirada no Movies in Color, tentei identificar o general spectrum de cada frame, ou seja, todas as cores que se destacam desde as mais claras até as mais escuras. Acho que para começar, está de bom tamanho.

Como vocês podem ver, tem duas linhas de cores. Na minha visão,consegui identificar algumas que se destacavam mais do que as outras, como se fossem as “cores guia” da cena, que são as da primeira linha. As da segunda, são as que estavam mais no background.

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Neste último frame, reuni todas as cores dos outros pra tentar montar uma paleta mais geral do filme, já que neste a gente vê praticamente todos os ambientes em que o personagem esteve. Foi a parte mais legal do exercício porque deu pra perceber como que com cores que parecem não combinar entre si, ele criou um ambiente super harmônico.

Então, gente, essa foi minha primeira paleta, bem simples mesmo! Pra você que também gosta da coisa, mas não tem nenhuma formação específica, acho que é um ótimo exercício pra começar! Tem muitos exemplos na internet também pra você ter de modelo : )

Agora vou parar por aqui, senão já vou entrar no assunto do próximo post da sessão, haha! Vou falar sobre as rodas cromáticas, cores complementares, análogas e etc.

Ah, e se alguém se aventurar a fazer um paleta ou se já tiver feito, mostra aqui! : )

Au revoir!