Os melhores filmes e as decepções de 2014!

Sim, finalmente 2014 está chegando ao fim! E chegou também a hora de fazer o balanço do que assisti ao longo desses meses, assim como fiz no ano passado.

Confesso que essa foi uma lista difícil de fazer, o que me deixa feliz porque, de certa forma, significa que assisti a muitos filmes que me agradaram. Já os desapontamentos foram bem fáceis de identificar, haha.

Bom, a maioria dos filmes legais que assisto, costumo colocar nos Filmes da Semana, mas esses daqui foram os que se destacaram por algum motivo. O engraçado é que depois que fiz a lista, notei que falei sobre quase todos eles aqui no blog, o que também faz muito sentido! Então, vamos lá.

 

 ♥ O Gosto do Chá

Geralmente não consigo fazer essas definições, mas posso dizer com segurança que a melhor descoberta de filme que fiz esse ano foi O Gosto do Chá. Ele entrou direto pra minha lista de melhores da vida, inclusive! Mas não vou falar muito porque já escrevi apaixonadamente sobre ele aqui.

 

 ♥ Miss Violence

Outro filme que mexeu com meu coração foi Miss Violence. Talvez tenha sido o filme mais impactante do ano. É daqueles que te tira completamente da zona de conforto, que te faz pensar nos relacionamentos familiares, no poder que as pessoas tem sobre as outras. É tenso. Tem resenha dele aqui no blog, mas se não quiser nenhum spoilerzinho, assista apenas ao trailer!

 

Palo Alto

Já disse por aqui que sou fã da Sofia Coppola e dessa família de gente talentosa. Adorei também Palo Alto, que foi o primeiro longa da Gia Coppola, sobrinha da Sofia. Embora tenha sido baseado em um livro de contos do James Franco, que não curto muito por motivos completamente abstratos, o filme é lindíssimo e muito bem realizado.

No post que escrevi sobre ele, comentei também que as cores – e a direção de arte de modo geral – do filme são belíssimas e voltarei a falar sobre isso no ano que vem.

 

 ♥ Picnic at Hanging Rock

Seguindo a vibe de histórias da adolescência, não poderia deixar de citar Picnic at Hanging Rock, um filme tão misterioso e estranho quanto a própria adolescência. Também escrevi bem enigmaticamente sobre ele aqui no blog. Não é um filme que se pode falar muito.

 

 ♥ O Duplo

Baseado no romance O Duplo, de Dostoiévski, arte maravilhosamente trabalhada e um combo de drama e humor meio obscuro. É muito inteligente e brinca bastante com nossa imaginação. Não é exatamente realista e já adianto que não tem nada a ver com aquele O Homem Duplicado – porque vi algumas pessoas compararem os dois.

Mas ainda não falei sobre ele por aqui e também não sei se já chegou aos cinemas, então fica a recomendação! Assistam ao trailer pra vocês terem um gostinho.

♥ O Profissional

Como assim demorei tanto pra assistir a esse filme? Já tinha ouvido falar e estava na minha listinha depois da empreitada de assistir a todos os filmes com a Natalie Portman. A curiosidade aumentou depois que fiquei sabendo que a música Matilda, do Alt J, foi inspirada na personagem da Natalie nesse filme.

Nunca poderia imaginar que seria tão bom! O título original é Léon, The Professional, e foi dirigido pelo Luc Besson. E é claro que ele vai merecer um post especial aqui no ano que vem!

 

 ♥ O Grande Hotel Budapeste

Embora esse não seja meu filme favorito do Wes Anderson, quis incluí-lo aqui porque foi um dos poucos filmes bons que assisti em uma sala de cinema de fato esse ano. Aqui na minha cidade não tem sido oferecida uma programação tão diversificada e acabamos ficando presos ao que tem nas redes de cinema dos shoppings.

Mas O Grande Hotel felizmente chegou aqui! É bonito, é engraçado e não tem como não agradar quem gosta do estilo do Wes.

 

♥ Inside Llewyn Davis

E por último, Inside Llewyn Davis, para acabar de derreter nossos corações. Fiz uma resenha detalhada e declarei todo o meu amor pelo filme nesse post.

Não tem nada que eu não tenha gostado nesse filme. História, estrutura narrativa, as cores, as músicas, o elenco…

*

Bom, sobre as decepções, me surpreendi ao pensar que foram mais ou menos as mesmas do ano passado e 90% delas foram em relação a filmes de ficção científica ou de viagens espaciais. Junto com Gravidade e Elysium, que foram os que citei na lista passada, acrescento às decepções Oblivion, Monsters, Viagem à Lua de Jupiter, Contra o Tempo e Upside Down.

Não sei, talvez seja uma implicância minha, talvez eu esteja esperando algo que eu acho que seja óbvio que estejam nesses filmes e não está.

A questão é que a maioria deles tem ideias muito boas, como é o caso de Upside Down e Monsters. A base é bem original, mas o desenvolvimento da história sempre acaba no casal que quer ficar junto. As questões mais interessantes relativas à ficção científica em si quase nunca são exploradas e acaba que muita coisa fica mal explicada. Fora que esse tema do mocinho e da mocinha que tentam ficar juntos nem é desenvolvido com originalidade, é sempre a mesma coisa…

Sobre essa questão dou destaque especial ao Upside Down, que tem uma ótima ideia, um excelente elenco (Kirsten Dunst e Jim Sturgess), lindas imagens e efeitos gráficos, mas que me deixou muito irritada! Acho um desperdício de dinheiro, sinceramente. É um romance muito besta e o fato de que ele se passou naquele ambiente futurista e diferente não o deixou mais interessante.

Outro desabafo sobre isso é o fato de que nos “filmes do futuro” tudo é branco e de vidro e com telas de touch e todo mundo usa roupas que parecem de neoprene. Gente, vamos lá, isso não tem mais a cara do futuro. Tirando as naves voadoras, nossa vida já tem muitas semelhanças com isso. Inclusive, roupas de neoprene estiveram ou estão em alta de verdade. Será que não tem outras formas de pensar como seria o futuro? Esse é um terreno que pode ser explorado infinitamente e sem limites exatamente porque o que, pelo menos pra mim, torna o futuro tão misterioso é exatamente seu mistério! Ele pode ser o que quer que nossa cabeça imagine.

Mas, claro, não foi tudo ruim… Não posso deixar de mencionar alguns filmes nessa linha que assisti nesse ano que foram bons e bem originais em várias questões como Her, Mr. Nobody, Under the Skin, Interstellar e The American Astronaut.

Me planejei para escrever tanto sobre essa minha decepção, quanto sobre alguns desses filmes que citei agora, mas infelizmente não consegui. Enfim, gostaria de pensar melhor sobre essas questões, assistir a mais filmes de ficção científica e rever alguns que gostei para estruturar melhor minha crítica. Até porque comecei a me interessar por esse tema recentemente e sei que tem muita coisa mais antiga e boa que merece ser vista.

De qualquer forma, não queria deixar de compartilhar esse desabafo com vocês. De repente tem alguém aí que tem sentido a mesma ou então que tem algum filme pra indicar.

Bom, pessoal, acho que é isso tudo por hoje! Espero que tenham gostado das dicas. E claro que vou adorar saber quais foram os filmes legais que vocês assistiram nesse ano, me contem aí!

Obrigada mais uma vez por me acompanharem por aqui! No ano que vem tem mais!

<3

Em cartaz #14: O Gosto do Chá

Nas segundas, como vocês já sabem, gosto de dar destaque para os cartazes de filmes. Mas tem tempos que não me surpreendo tanto com um filme como na semana passada e estou muito ansiosa para falar dele para vocês!

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Fuçando nas listas de filmes feitas pelos usuários do Filmow, me deparei com esse chamado O Gosto do Chá (Cha no aji). dirigido por Katsuhito Ishii e lançado em 2005. Claro, o título me pegou de cara e eu coloquei naquela lista do “cineclube” que contei para vocês sem nem pensar duas vezes.

Ao assistir o trailer, me pareceu que ele seria um filme meio louco e surreal. De fato é. Mas é bem mais do que só isso.

A história é sobre a família Haruno. Nobuo, o pai, é um hipnoterapeuta e ensina seu filho Hajime a jogar Go. O menino está com os hormônios à flor da pele e na fase de sofrer de amor. A mãe, Yoshiko, é desenhista e está desenvolvendo um anime. A filha mais nova, Sachiko, é perturbada por uma versão gigantesca dela mesma, que fica acompanhando-a aonde quer que esteja. Na casa também estão o avô, Akira, um senhor bem excêntrico que parece viver no mundo das nuvens, e o tio Ayano, um engenheiro de som que está de visitas.

Por que assistir O Gosto do Chá? Porque é simplesmente um filme muito gostoso de assistir. Eu, particularmente, me diverti, achei engraçado na maior parte do tempo. Mas não engraçado pastelão. Engraçado porque os personagens são muito excêntricos e a forma como eles lidam com as coisas e convivem em casa é bem peculiar.

O filme é uma grande sequências de esquetes de todos os personagens. Ora parecendo que não tem nada a ver entre si, ora mostrando como na verdade estão entrelaçadas. E quando eu falo em excentricidade, não estou dizendo que coisas espetaculares e forma do normal acontecem nessa história. Muito pelo contrário.

O filme tem um clima meio preguiçoso, meio rotineiro. Ele é tão cotidiano que os problemas que parecem tão simples à primeira vista, tomam uma outra dimensão na vida dos personagens. São esses pequenos detalhes, pequenas situações que as vezes tiram a gente do conforto que nos levam pra frente. E isso já é coisa suficiente!

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A pequena Sachiko, por exemplo, acredita que só se livrará da sua versão giganta quando ela conseguir dar uma pirueta numa barra – tipo de ginástica olímpica, sabe? Então, todos os dias, ela vai até o lugar onde fica a barra e treina incessantemente. Ela chegou a essa conclusão depois de ouvir uma história contada pelo tio. Hajime, apaixonado por uma aluna nova da escola, faz das tripas o coração para estar sempre perto dela.

Ao mesmo tempo, outros personagens vivem outros conflitos mais intensos, como a mãe, que está tentando manter sua carreira como desenhista, e o tio, que reencontra – ao que parece – uma antiga namorada e descobre que ela vai se casar com outra pessoa.

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Não poderia deixar de destacar o avô Akira. Sem dúvidas, meu personagem favorito. Ele é meio maluquinho e meio irritante, eu diria, e tem uma relação forte com a música. Ele afina a voz o tempo inteiro com um diapasão e está sempre cantando. Se você não vai ver o filme, assista pelo menos essas duas cenas dele pra vocês entenderem – ou não – do que eu estou falando! Ô musiquinhas grudentas, viu?


O filme também não é muito explicativo. Tem alguns personagens que só aparecem uma vez, outros que só vamos entender quem são no decorrer do filme… E mesmo sobre os personagens principais não há detalhamento profundo. O que sabemos é o que vemos no filme – e o que imaginamos, claro. Talvez seja isso que permita nos identificar com várias situações que eles vivem, mesmo com toda a psicodelia do filme e mesmo com o distanciamento cultural.

Agora, sobre os cartazes, não encontrei muitos. Todos acabaram sendo uma variação do mesmo. Mas no fundo, gostei bastante. Para mim, depois de ter assistido, ele parece um retrato perfeito do filme. E talvez essa seja uma boa forma de falar sobre o filme: o retrato da vida da família Haruno.

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Como vocês podem notar, estou apaixonada pelo filme! Sei que muitos de vocês gostam de filmes asiáticos e queria aproveitar essa empolgação para indicar O Gosto do Chá. Tenho certeza que não vão se arrepender!

Boa semana, gente! o/