Um pouco de Jean Seberg

Um pouco de Jean Seberg, de cabelinho lindo e roupas confortáveis, para começar essa semana.

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Jean Seberg foi uma atriz norte-americana que começou sua carreira bem cedo, aos 17 anos. Em 1957, ela participou de uma seleção para o papel de Joana D´Arc no filme de Otto Preminger. Entre muitas candidatas, ela foi selecionada e assim iniciou sua carreira. Depois disso, fez também o filme Bonjour Tristesse, mas a fama veio mesmo depois de atuar em O Acossado, de Jean-Luc Godard, um dos primeiros filmes da Nouvelle Vague na França (e que, inclusive, merece um post à parte!).

Apesar de se tornado um dos rostos mais conhecidos da Nouvelle Vague, a carreira de Jean foi cheia de altos e baixos e, infelizmente, não teve um final feliz. Saber lidar com a fama e com as críticas não deve ser nada fácil pra alguém que está sozinho num outro país, tentando fazer algo novo… Encontrei essa entrevista em que ela conta um pouco sobre isso e sobre as dificuldades e pressões que sofreu no início de seus trabalhos com o cinema.

Então, pra quem não conhece, aqui está um pouquinho de Jean Seberg.

Em cartaz #32: Kino Babylon

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Esses cartazes foram feitos pelo designer Luca Bogoni para o cinema Kino Babylon que fica em Berlin. Luca disse em seu próprio site que ao planejar esta campanha para o Kino Babylon, ele pensou o cinema como uma Torre de Babel dos dias modernos, um lugar de encontro não só de filmes, mas também de uma comunidade eclética com interesses diversos.

É uma pena que não tenha encontrado a imagem em melhor resolução, mas acho que vocês conseguem ver as pessoinhas e elementos que ele colocou compondo essa “torre”.

Mas isso tudo aí eu só fiquei sabendo depois. Os cartazes me chamaram atenção mesmo porque tem a cara de quatro diretores que estão na minha lista top 10 da vida. E as frases que compõe os cartazes foram ditas por eles mesmos. Eu não entendo alemão e muito pouco de francês, então vou colocar uma tradução aqui pra quem também está no mesmo barco!

Godard diz: “É preciso confrontar ideias vagas com imagens claras”. Woody Allen diz: “Deus está morto, Marx está morto e eu também não me sinto muito bem”. Polanski diz: “Um filme deve fazer você esquecer que está sentado em um cinema“. E Hitchcock, com cara de fanfarrão, diz: “Existe algo mais importante do que a lógica, a imaginação”.

Eu gostei bastante da ideia. De tudo, aliás. Da fonte, do contraste do rosa com o preto e branco e das fotos escolhidas. Fora que foi uma forma de dar visibilidade e de apresentar os diretores para quem passou pelo cinema e não os conhecia.

Campanhas bonitas como essas por aqui, por favor!

(O Kino Babylon é um dos cinemas mais antigos de Berlin. Ele começou a funcionar em 1929 e atravessou todos esses anos firme e forte, mesmo com as guerras e as situações caóticas as quais a Europa esteve submetida. Encontrei esse artigo bem legal para quem se interessar pela história!)

Figurino #3: Marianne Renoir

Tudo bem se alguém acha os filmes do Godard chatos ou se não entendem nada do que acontece neles. São filmes que demoram um pouco pra gente se acostumar. Podem achar o que quiser, mas uma coisa é verdade: os filmes são muito bem feitos e muito bem pensados. Isso está refletido em várias partes, nos diálogos, nos cenários e locações, na iluminação e no figurino. Não assisti todos os filmes do Godard e não parei para analisar isso em cada um, mas no geral, a forma como as cores são trabalhadas nos cenários e nos figurinos tem uma importância e um destaque nas cenas e são bem coerentes com a proposta de cada filme.

Por isso, hoje quem está nessa sessão é Marianne Renoir, uma das protagonistas de Pierrot Le Fou, filme do Godard de 1965. Claro que grande parte do charme do figurino é culpa de Anna Karina, essa musa que não cansa de aparecer por aqui.

Esse post é pra você que também morre de amores pela moda na década de 60! Nunca estudei moda, não sei muito bem os termos e nomes das coisas, então provavelmente alguma coisa vai passar por causa disso. Mas tudo que escrevi aqui são minhas impressões descritas com todo o meu amor por esse filme e é isso que vale!

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Nas palavras do próprio Godard, Pierrot Le Fou – baseado no livro Obsession de Lionel White – é a história de um homem que deixa sua família para ir atrás de uma menina muito mais nova, a babá de seus filhos. Ela está envolvida com pessoas estranhas e não muito confiáveis e isso acaba levando os dois a uma série de aventuras.

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Pra começar, o que realmente me chama atenção no figurino de Marianne – falei um pouco sobre isso aqui – é a mistura de estilos. No início do filme, que são essas fotos de cima, Marianne está bem feminina. Cabelo de princesa Léa, gola peter pan, vestido de renda e sapatilhas. Na minha interpretação, isso faz muito sentido com a história. Nesse momento ela ainda é vista como a babá dos filhos de Ferdinand e a mulher que o atrai, então faz sentido todo esse estilo menininha elegante.

Ao longo do filme, isso muda. Como vocês podem ver nos frames seguintes, Marianne varia entre um estilo mais tomboy e os vestidinhos clássicos. Afinal, eles começam a fugir de uma galera e o clima do filme também muda.

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Como em muitos filmes do Godard, as cores azul, branco e vermelho saltam da tela. São as cores da bandeira da França e, sendo o bom francês que é, não é de se espantar que isso aconteça. Essas cores estão presentes, como vocês devem ter notado, em 90% dos figurinos de Marianne e dos outros personagens também.

Mesmo quando não estão exatamente dentro dessa paleta da bandeira francesa, a gente consegue observar referências ao vermelho e ao azul. Como no terceiro figurino, o vestido rosa e cardigã azul claro. No quarto figurino, ela usa um casacão militar e calça xadrez, mas tem uma meia azul ali pra compor look.

No final do filme, Marianne aparece com referências náuticas, que também acompanha a história. Além do quepe de marinheiro, que é óbvio, a calça de cintura alta, o casaco jogado nos ombros e a sapatilha lembram um pouco o estilo dos uniformes da marinha, uma versão mais divertida da coisa. Esses looks também deram uma cara mais formal e menos aventureira que havia no início do filme. As referências continuam na última cena de Marianne (spoiler!), com a camiseta listrada e a saia lápis vermelha.

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Esse filme é um exemplo de direção de arte bem feita demais! Trabalhar com cores fixas assim deve ser realmente muito difícil porque elas não estão só no figurino, mas nos cenários e nas locações. Um puta trabalho! Parabéns, Godard!

E mesmo se você não conhece o filme, Marianne Renoir/Anna Karina são uma verdadeira inspiração, é só procurar no google. Também já fiz vários posts sobre ela aqui no blog!

Eu não entendo nada de história da moda, mas sou realmente apaixonada pelos figurinos que aparecem nessa época da Nouvelle Vague. E os cabelos também são puro charme. Fiquei anos de franjinha por causa da Anna Karina e estou sempre tentada a cortar de novo por causa disso.

Tem algum figurino te marcou também? Me conta aí! o/

Os cartazes dos filmes do Godard #3

E hoje é dia da terceira e última parte dos cartazes do Godard! Claro que eu poderia fazer mais vários posts sobre eles, mas não quero que vocês me matem, haha! (Primeira parte e segunda parte, pra quem não viu)

Uma mulher é uma mulher (Une femme est une femme, 1961)

Na ordem: Brasil, França (1), Bélgica, França (2), EUA, Polônia, Alemanha, Itália, não-identificado.

Como já contei por aqui, Uma mulher é uma mulher é um dos meus filmes favoritos do Godard. Certamente ele deve ficar meio em segundo plano pra muita gente, mas ele é especial pra mim. Foi depois dele que tive vontade de conhecer o restante da filmografia.

Apesar disso, os cartazes não são os que eu acho mais bonitos. Tirando esse segundo, uma versão francesa, acho os outros meio feinhos. Nenhum me chamou muito a atenção.

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Viver a vida (Vivre sa vie, 1961)

Na ordem: Japão, Espanha, EUA, Itália, Alemanha e Japão.

Viver a vida é um filme que eu sempre recomendo. É engraçado porque de todos os filmes de Godard que já vi, esse é o que me parece mais diferente, quase que deslocado. Não sei se é por conta da estrutura – ele é divido em 12 blocos -, do fato de ser preto e branco ou por conta da atmosfera mais down. Realmente até hoje não consegui entender os motivos. Alguém mais tem essa sensação?

Eu adoro cartazes em formatos diferentes, então não poderia deixar de destacar esse primeiro japonês. Já vi outros do Japão e acho que esse é um formato popular por lá. Talvez seja por causa da escrita, né? Esse e o dos EUA são meus favoritos.

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Os outros

Pois é, como percebi que eu nunca ia acabar essa série e que também não estava encontrando cartazes em boa qualidade para todos os filmes, resolvi colocar aqui alguns dos que eu gosto. O primeiro é o do Vento do Leste e foi bem difícil de encontrar. Aliás, quase não tem nada sobre esse filme, nem fotos. O mais louco é que o único cartaz que encontrei é japonês.

Made in USA e Tout va bien também foi bem difícil de encontrar e não tem muitas opções. Já o Masculin Feminin tem muito! Tem vários lindos, vale a pena procurar! Os mais recentes, como o Elogio ao amor, já são possíveis encontrar em melhor definição, o que é ótimo pra quem tem a ideia de imprimir e fazer um quadro. Só é uma pena que os mais lindos sejam os mais antigos, haha!

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Bom, pessoal, era isso tudo. Espero que tenham curtido essa série especial. Vou dar um tempo do Godard, haha, mas certamente outros post sobre posteres aparecerão por aqui. Principalmente porque tem muitos cartazes feitos por fãs que são lindíssimos e as vezes ficam escondidos nessa internet.

Como comentei antes, gosto muito do site MoviePosterDB. Lá tem cartazes dos filmes mais velhos aos mais novos e você pode comprar por alguns centavos de dólar os arquivos em alta definição – se disponíveis.

Até a próxima!

Os cartazes dos filmes do Godard #2

Enquanto todo mundo está pulando Carnaval – ou talvez, descansando dele -, estou aqui lançando a segunda parte dessa série dos cartazes do Godard! (Se você não viu a primeira parte, clique aqui!)

Então, o que me dizem desse aqui? : )

Alphaville, 1965

Esse não é um dos meus filmes favoritos do Godard, mas foi o  que me despertou a vontade de conhecer a filmografia dele. Foi também por causa da Anna Karina nesse filme que eu cortei franja, então ele é meio especial pra mim, haha.

Eu tinha a impressão que todos os cartazes que encontraria de Alphaville seguiriam a mesma vibe noir do cartaz “oficial” francês. Mas não. O dinamarquês e o polonês são bem diferentes e coloridos.

Na ordem: França, Japão (1), EUA, Dinamarca, Itália, Polônia e Japão (2).

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Le Petit Soldat, 1963

Vi no documentário Godard, l´amour, la poesie – que conta a história do relacionamento entre ele e Anna Karina – que em Le Petit Soldat, fica claro o quanto Godard estava apaixonado por ela, pelas enquadramentos, pela forma como ele a filmava… Enfim, se isso é verdade ou não, nós nunca vamos saber. Só que agora fica contaminada com essa interpretação, haha.

Nenhum cartaz desses me chamou atenção propriamente. Menos o inglês, que é na vertical. Aliás, notei que quase todos os ingleses mais antigos eram assim! Pelo menos os do Godard. Vou procurar mais informações sobre!

Na ordem: França, Dinamarca, Japão, UK, França (2).

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Pierrot le fou, 1965

Bom, o que dizer? É um dos meus filmes favoritos do Godard. É também meu cartaz favorito de todos esse primeiro, da versão dos EUA. Queria muito encontrar para comprar ou então encontrar em uma boa resolução para imprimir, mas tá difícil!

Mais uma vez, os japoneses arrasando. O que é esse esse Belmondo usando óculos Absurda, hahaha? Ousadia total! O da República Tcheca também é lindo, super psicológico.

Na ordem: EUA, França (1), Alemanha, Holanda, República Tcheca, Japão, França (2), Itália.

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Weekend, 1967

Filme do Godard com a melhor sequência de todas da vida. Por isso, achei que o cartaz dos EUA para o relançamento do filme é o melhor deles. Ficou bonito demais da conta!

Na ordem: Itália, Japão, França, EUA e Alemanha.

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Os cartazes dos filmes do Godard #1

Sabe quando as pessoas dizem que compram um livro pela capa (eu, inclusive)? Pois é, eu tenho o mesmo comportamento, só que para filmes. O cartaz de um filme é algo muito importante pra mim, tem o poder de me fazer querer vê-lo ou então de querer pendurá-lo na minha parede, haha.

Os cartazes são um elemento importante pra divulgação do filme, por isso que a gente vê um monte que são idênticos, justamente pra atingir o público mais fácil e rapidamente e, consequentemente, vender mais fácil e rapidamente. Mas alguns cartazes são muito originais e eu consigo vê-los como uma criação a parte. Eu totalmente teria um cartaz lindo sem ter visto o filme, haha.

Pensando nisso, resolvi fazer uma série curtinha e especial aqui no blog mostrando cartazes de alguns dos filmes do Godard – os que eu assisti, na verdade. Fiquei espantada com a diversidade. Eu não consegui fazer essa análise porque não tenho conhecimento sobre a cultura cinematográfica dos outros lugares, mas dá pra perceber bem como varia a venda do filme nos outros países só pela vibe dos cartazes.

A Chinesa (La Chinoise, 1967)

Na ordem: França (1), França (2), Japão, Itália, Alemanha e EUA.

A versão japonesa pra mim é a mais diferente. Não me lembra em nada o filme, mas achei criativa. Difícil encontrar um assim nos dias de hoje. Agora, fiquei encucada com a versão alemã. Não entendi bem qual é dessa estrela e do losango. É alguma mensagem subliminar, alguém capta? As cores também não combinaram muito…

Meu preferido é esse primeiro. Totalmente teria em casa.

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Bande à part, 1964

Na ordem: EUA (1), França (1), França (2), Alemanha, não-identificada, Espanha e EUA (2).

Bande à part é um filme desses queridinhos, né? Todo mundo que assiste quer imitar a dancinha depois. Ela é tão marcante que está presente em dois dos cartazes.

Achei que nesse primeiro, a cena da dança deu um tom muito alegre – que eu não acho que o filme tem, na verdade. Mas enfim, achei muito interessante porque o cartaz é na horizontal. Por que não fazem cartazes assim, né? Acho válido!

A versão espanhola também ficou com um tom de comédia. E a Anna Karina, coitada, foi um pouco distorcida, haha. Ficou parecendo aquelas bonecas bizarras antigas.

O que eu mais gostei foi essa versão não-identificada. Alguém conhece aquela língua e sabe me dizer da onde é? Gostei da composição, ficou mais clean e o preto e branco deu uma classe.

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O Acossado (A bout de suffle, 1960)

Na ordem: França (1), França (2), Espanha, Japão (1), Grécia, Itália, Japão (2), Alemanha e EUA.

Gente, simplesmente O Acossado tem muitos cartazes. MUITOS. Isso sem falar nas capas de DVD que também são diferentes. No MoviePostersDB vocês podem ver todas elas – inclusive, é o site que tenho usado como referência.

Pra variar, as versões orientais me conquistaram. Gosto muito de como eles trabalharam o preto e branco e as linhas. (Acho que estou numa fase P&B, haha). O segundo ficou muito bom, simples e chique.

Sem dúvida, o cartaz grego também foi super original. Acho que é a primeira vez que vi um cartaz da Grécia. Ele destoou bastante da composição dos outros e acho que por isso me chamou atenção. O pessoal tá precisando ousar mais tipo eles, né? Ficou muito bom!

O último cartaz é mais recente, foi feito para o 50 aniversário do filme. Fofinho, sem ser infantil. Gostei.

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O Desprezo (Le Mépris, 1963)

Na ordem: França, Itália, Japão, República Tcheca, EUA, Dinamarca e Polônia.

Esse não está entre meus filmes favoritos do Godard. Não sei, simplesmente não me pegou como os outros. Esse é o famoso filme estrelado pela Brigitte Bardot, então ela está em todos os cartazes. Mesmo não gostando muito do filme, consegui encontrar cartazes de países diferentes dos que apareceram até agora e eles não se assemelham em nada aos outros.

O da República Tcheca, por exemplo, não tem nada a ver com o que vi até agora. Me lembrou um pouco os cartazes construtivistas. Achei que ele ficou bem menos feminino em comparação aos outros e isso foi interessante.

Não curti muito os dois últimos. O da Polônia ficou com uma vibe de filme policial, não sei… não gostei muito das combinações. E o outro fofinho dos EUA é bem parecido com o do Acossado, né? Tentei procurar informações sobre o artista que fez, mas não encontrei.

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Claro que não são só estes cartazes que existem pra cada filme. Mas quis selecionar pro post não ficar muito gigantesco e também porque encontrei alguns que estavam com a qualidade muito ruim, então não compensava colocar. De qualquer forma, aquele site que indiquei ali pra cima é muito bom pra encontrar cartazes e todas as suas versões.

É isso! Fim da primeira parte! O que me dizem? Quais vocês gostaram? Tem mais algum aficionado por cartazes aí? : )

Especial de aniversário: alguns motivos para se gostar de Jean-Luc Godard

Eu estava esperando muito pelo dia de ontem e estava planejando fazer um post especial – na verdade, uma semana especial. Mas, só pra variar, não tive tempo, praticamente não fiquei em casa nas duas últimas semanas e ontem o wordpress estava dando uns paus e desisti de tentar postar. Entretanto, o que vale é a intenção.

Ontem foi um dia especial porque foi o aniversário de Jean-Luc Godard. Ele fez 83 anos e é um dos meus cineastas favoritos, como já disse por aqui. A questão é que eu já tentei várias vezes fazer um post sobre ele, mas simplesmente não consigo decidir por onde começar. Ok, poderia começar falando da vida dele, que ele é franco-suíço, estudou na Sorbonne e escreveu na Cahiers du Cinema. Poderia falar também que ele é um dos principais nomes da Nouvelle Vague, movimento artístico do cinema francês que começou na década de 60, que ele era amigo do Truffault e tal. Mas gente, isso tá tudo na wikipedia, haha. Sério, não vejo sentido em transpor tudo isso pra cá só pra ter no meu blog.

Então, pensando nisso, resolvi escrever as razões pelas quais eu gosto dele. O que faz bem mais sentido porque a época em que eu comecei a gostar Godard – o que é bem recente! –  foi a época em que eu conheci alguns dos meus melhores amigos.

Eu já tinha assistido Acossado – o primeiro longa de Godard – em uma aula na faculdade, mas nem liguei. No ano passado, nosso grupo de estudos de cinema, o Teorema, resolveu fazer um especial Godard e decidimos estudar a filmografia dele.

Começamos pelo Acossado, que já consegui ver com outros olhos. Mas quando eu vi Uma mulher é uma mulher é que tudo mudou. Eu nunca ia imaginar que alguém pudesse contar uma história de casal, um conflito tão comum em vários filme, de um jeito tão diferente. Eu não vou tentar explicar aqui pra vocês o que é diferente. É tudo, basicamente. O trabalho com a câmera, com o som, com os atores, a decupagem, a arte. Preciso de um post só pra falar disso, haha. Depois desse, vi Bande a part, La Chinoise, Le Petit Soldat, Elogio ao amor, Pierrot le fou, Viver a vida, Film Socialisme e outros (não necessariamente nessa ordem).

Nem todos eu acho super legais, alguns são chatos, outros continuo não entendendo, mas o que ficou pra mim e que me faz gostar tanto do Godard é que ele mostrou que é totalmente possível fazer um filme totalmente diferente de todos os outros. É possível inventar novas regras, novas metáforas, novas perspectivas e, na boa, f***-se, trate de fazer um esforço e pensar um pouco no filme antes de dizer, échatonãoentendinada.

Deleuze disse que Godard, na verdade, inaugura um cinema de pensamento. Não é que ele fez um pensamento sobre o cinema, ele fez o cinema pensar e tem uma grande diferença nisso aí, hein? Vamos pensar, haha.

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Apesar de todo o mal-humor e de ele não gostar que as pessoas gostem dele e dos filmes dele, Godard nem imagina que ele uniu um grupo de pessoas de tal forma que algumas foram até morar com as outras.

Por causa dos nossos estudos, acabamos fazendo um curta inspirado no Godard – que não está no youtube, Otávio e criamos um núcleo chamado Film Socialisme. Foi uma das melhores épocas do nosso grupo e se não fosse por isso, não teria encontrado as pessoas tão lindas que eu amo tanto até hoje, haha.

Não lembro muito bem porque os estudos acabaram. Acho que as pessoas decidiram que era hora de mudar. A verdade é que depois de Godard, as reuniões do grupo não foram muito pra frente, hahaha! Enfim, eu continuei vendo filmes, lendo livros sobre ele, etc, porque Godard é de fato uma inspiração. Pode achar que é pseudagem falar isso, mas acho que o mínimo que a gente deve fazer antes de pegar uma câmera é pensar. E foi o que eu disse no outro post, precisamos de outros olhares, outras sensibilidades. E pra isso Godard é um prato cheio, porque ele pega e faz do jeito louco porém sábio dele e pronto. Não pergunta se você gosta, se você quer. Apenas aceite e pense sobre isso.

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E cá estou eu, de novo, não sabemos mais o que falar sobre essa criatura. É estranho isso, né? Você fica ansioso pra falar sobre algo e quando chega a hora é tanta informação que quero despejar que não dou conta. Vou postar logo, antes que eu desista ou então que eu fique reeditando e reeditando aqui, hahaha.

Godard gravou agora seu primeiro filme em 3D, o Adieu au Langage, e estamos todos curiosíssimos pra ver o que esse senhor vai aprontar dessa vez. Feliz aniversário atrasado e obrigada aos amigos lindos que toparam embarcar nessa aventura do cinema de Godard que, acho, não tem mais volta, haha.

Au revoir!

Uma inspiração: Anna Karina – parte 3

Mais uma vez Anna Karina está no blog e por um motivo especial: hoje é seu aniversário! Sim, Anna Karina está completando 73 anos. Ela está uma senhorinha, mais mantém o estilo. Parece que não vai nunca abrir mão da franjinha e do delineador!

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Como já comentei em outros posts, Anna dançava, cantava, pintava e atuava muito bem. Então, para celebrar essa data, escolhi falar sobre o filme protagonizado por Anna que eu mais gosto, Une femme est une femme.

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Como já falei, é um dos meus favoritos de Godard. Resumindo bem, o filme conta a história de uma dançarina, Angela, que vive um dilema: ela quer ter um filho. Mas seu marido/namorado, Émile, não quer. No meio desse conflito, ainda tem um amigo de Émile, Alfred, que gosta de Angela e fica tentando umas investidas.

Assim como em outros filmes de Godard, a arte é muito bem trabalhada nesse, destacando as cores vermelho e azul. A vibe é toda bem alegrinha, tudo muito colorido, com um quê de comédia. Li uma vez em algum lugar que Godard se inspirou nos filmes de Keaton para as atuações de Une femme. Se é verdade ou não, não sei, mas faz bastante sentido. As atuações são exageradas e me parecem até teatrais. De certa forma, me dá a impressão de que as vezes ele ironiza as relações entre casais através disso.

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Fico na dúvida se o filme poderia ser classificado como musical também. Acho que eu falaria que ele é meio a meio. Tem muita música, mas quase todas elas parecem ser acionadas pelas ações de Angela, como no trecho lá de baixo. Essa questão sempre me pegou por causa de uma cena que tem logo no início do filme – mostrei no Anna Karina, parte 2. Angela está no cabaré, se preparando para sua apresentação. Um piano começa a tocar e ela entra em cena. Quando ela canta, porém, o som do piano some e ouvimos somente sua voz. Isso me dá a sensação de que o som que ouvimos é o que Angela ouve dentro da cabeça dela. Como se todos os sons fossem guiados pelo interior dela. Sacaram? Não? Não importa, estou viajando aqui também, haha! A trilha é do Michel Legrand e ainda não encontrei pra download : (

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Acho que já falei antes, mas se você nunca viu nada de Godard, acho que é uma boa começar com esse. Acho que é um filme que virou referência em vários âmbitos. Na moda, principalmente, tem vários ensaios inspirados no estilo de Angela. Inclusive algumas marcas lançaram catálogos todos no estilo de Une femme. É só dar uma futicada no google que vocês encontram.

Pra finalizar, escolhi uma das cenas do filme que eu mais gosto pra mostrar pra vocês! Acho que ela condensa todas essas impressões das quais falei aqui.

E aí, o que vocês acharam? Pra quem já assistiu, quais as suas impressões? : )

Uma inspiração: Anna Karina – parte 2

Como eu havia comentado no outro post, seria impossível falar de tudo que eu queria sobre Anna Karina, então achei melhor separar os tópicos!

Hoje, como é domingo e é dia de playlist, escolhi mostrar o lado musical de Anna. Porque, né, não basta ser musa, tem que cantar e dançar bem também, haha! Eu gosto dela, mas não vi todos os filmes. Confesso que só conheço seus trabalhos na época da Nouvelle Vague, então ainda não sei o que tem depois. Mas pretendo assistir, claro.

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A primeira música escolhida foi Ma ligne de chance, que ela canta em Pierrot le fou (Jean-Luc Godard, 1965). A música é uma gracinha e fica muito na cabeça depois que a gente assiste o filme. Ela faz um dueto também com um dos atores mais badalados da Nouvelle Vague, Jean-Paul Belmondo.

Uma mulher é uma mulher (1961) é um dos meus filmes favoritos do Godard. Não sei explicar o porquê. Acho que quando assisti, entendi tudo e saquei qual era a da coisa, hahaha! Se você nunca viu nenhum filme dele, indico esse como um dos primeiros.

Como contei no outro post, Anna atuou em um musical escrito por Serge Gainsbourg – também chamado Anna – e com o objeito de homenageá-la. Sendo um musical, fiquei na dúvida de qual cena eu postaria. Então escolhi essa música do final, Je N’Avais Qu’un Seul Mot a Lui Dire, em que ela faz um mais ou menos um dueto com Jean-Claude Brialy, seu par romântico. Uso essa música como meu toque de celular, hehe, o começo dela é todo instrumental, mas aí no filme eles cortaram.

Vou finalizar com essa cena super-hiper-mega clássica da Nouvelle Vague. Eu sei, Anna Karina não canta, mas está dançando nela. Pra quem não conhece, o filme é Bande à Part (1964) também de Jean-Luc Godard. Impossível não querer gravar um vídeo imitando essa cena depois de assistir, hahaha! Esse é um dos que indico como um dos primeiros a assistir se você não viu nada de Godard.

Agora as pessoas já sabem porque tenho esse óculos, hahaha! Bom domingo, gente, espero que tenham curtido as dicas. Ah, e a série sobre Anna Karina ainda não acabou.

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Uma inspiração: Anna Karina

Depois de quase uma semana, cá estou eu. Fiquei de molho esses dias por conta de um ser microscópico que resolveu comer todos os meus nutrientes… Mas estou me recuperando! (:

Bom, nesses dias, entre terminar trabalhos atrasados do mestrado, escrever no blog, ler qualquer coisa e tentar ir na academia, resolvi ficar embaixo das cobertas, hahaha! Então agora que voltei, resolvi abandonas as ideias de post que eu tinha e escrever sobre algo que eu adoro/me empolgue/me deixe feliz, etc.

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Então, hoje vocês vão conhecer uma das minhas musas inspiradoras, haha: Anna Karina. Ela já apareceu neste e no último post aqui no blog. Seu nome verdadeiro é Hanna Karin Blarke Baye e ela é uma atriz/modelo dinamarquesa, que foi uma das principais atrizes do movimento Nouvelle Vague. Ela foi casada por um tempo com Jean-Luc Godard (ainda estou devendo um post!) e atuou em muitos dos seus filmes.

Ela já contou em mil entrevistas como ela saiu da Dinamarca e foi pra França e conheceu Godard, mas não contar os detalhes aqui. Procurem no youtube! hahaha Resumidamente, ela era atriz de teatro na Dinamarca e foi pra França tentar a sorte. Lá, uma mulher de uma revista a viu na rua, gostou dela, tirou fotos dela. Depois a Anna fez comerciais pra TV e foi assim que Godard a conheceu. Masss, em uma entrevista ela diz que os irmãos dela a chamavam de feia e não sei mais o que, o que deu a entender que ela fugiu de casa. De fato não existem mais fotos dela com os familiares e ela nunca falou deles, então não dá pra saber.

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Anna Karina bem novinha em um de seus trabalhos como modelo em 1959.

Como eu conheci a Anna Karina? Bem, foi no filme Alphaville, do Godard. Não sei explicar porque gostei tanto dela de cara. Talvez porque eu tenha gostado muito do filme, da personagem e do cabelo dela, hahaha! Na época eu estava numa crise com meu cabelo, queria mudar o corte e tal. Quando vi a Anna, pensei: é isso, vou cortar franjinha! Então cortei e de quebra minha irmã tirou algumas fotos minhas inspiradas de fato na Anna Karina de tão apaixonada que eu estava, hahaha!

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Aphaville, 1965.

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Apenas eu, feliz.

Depois disso, o grupo de estudos em cinema que eu participava no ano passado começou a estudar os filmes do Godard e daí foi só amor. Pelos dois! Vou colocar aqui embaixo alguns filmes que ela participa que eu gosto mais e já fica de dica pra quem quiser assistir ;)

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Vivre sa vie, 1962.

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Le Petit Soldat, 1963.

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Pierrot, le fou, 1965.

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Une femme est une femme, 1961.

Mas a vida dela não foi só os filmes da Nouvelle Vague. Ela fez muitos outros, claro, inclusive um musical escrito pelo Serge Gainsbourg em 1967. Anna foi dedicado à ela e todo seu talento como cantora pode ser explorado. Desconfio que esse seja um filme não tão conhecido assim, mas vale bastante a pena porque a história é bem legal. E tem outra curiosidade: ele foi o primeiro filme colorido feito pra TV francesa. Ele não tem permissão para ser incorporado aos sites, então clique aqui para assistir!

Nossa, escrevi, escrevi e ainda tem mil coisas pra falar! hahaha Mas sei que é muito chato post grande u.u Queria explorar mais a atuação dela em alguns filmes, mas acho melhor voltar depois com calma. Quem sabe até lá vocês não assistem alguns dos filmes aí de cima, se já não assistiram (:

Termino apenas com um lamento: ela esteve no Brasil no ano passado muito longe daqui. Anna Karina foi a homenageada do Festival Internacional de Brasília e até cantou uma das canções do musical. Apenas isso.

Agora voltei com tudo!

Au revoir!