Um desabafo do mundo dos adultos

 photo 69e6a58b39f410458d9e81d17ddeaa97_zpso9didhct.jpg

Um autor que estudei há um tempo atrás, Giorgio Agamben, diz algo em um dos seus livros parecido com isso: se você pode falar sobre sua infância, é porque você já não está mais nela. Quando somos crianças, não temos ideias de que somos crianças.

O assunto é bem mais complexo do que isso (desculpa, Agamben!), mas esse pensamento sempre me chamou atenção porque sou uma pessoa que tem uma relação bem, como posso dizer, feliz (?) com meu passado: eu adoro. Gosto muito de relembrar minha infância, ver fotos, vídeos, reler meus diários e recordar situações que vivi. E tenho uma boa memória, o que me permite fazer isso com qualidade!

Eu acho que eu meio que sinto saudades. Não que eu queira voltar a ser criança, não é isso. Mas acho que algo se perde quando a gente cresce e talvez seja disso que eu sinta falta.

Das poucas vezes que tenho a chance de passar um tempo sozinha com uma criança, percebo que nós, adultos badass que somos, mais do que só a inocência, deixamos pra trás uma certa curiosidade pelo mundo. Simplesmente paramos de perguntar “por que?”. Também não temos mais paciência pra dar atenção e perder tempo com uma coisa boba. São poucas as pessoas que conseguem ficar horas fazendo a mesma atividade, que não vai dar em nada, como uma criança que se dedica horas a uma brincadeira. Também temos mais dificuldade de fazer amizades de repente – como elas fazem numa festinha de aniversário -, ou então de brigar, pedir desculpas logo em seguida, e voltar a fazer o que estávamos fazendo antes. Também é difícil fazer alguma coisa sem ter interesses, sem esperar algo em troca. E também de dar asas pra imaginação e acreditar nas ideias mais malucas e idiotas que passam pela cabeça. Esquecemos que podemos ter super poderes, que podemos ser homem e mulher e monstros e criaturas extraordinárias.

Não, não dá pra fazer isso porque tem alguém ali te observando. A gente cresce e desenvolve um monte de filtros. Somos todos críticos e julgadores, dos outros e de nós mesmos. Parece que andamos com um facão na mão, cortando e podando o que vemos pela frente, o que não está de acordo com o padrão, com o que um ser humano normal deveria ser.

Eu sei que estou generalizando, mas vocês entenderam o que eu quis dizer? É um tipo de relação com o mundo assim que eu sinto falta, com menos julgamentos, menos critérios, menos interesses. Acho que isso atrapalha mais as coisas e causa mais problemas do que a gente imagina…

Essa frase clichê de que “tem uma criança dentro de todos nós” é muito bonitinha, mas cada vez mais duvido disso. Quero dizer, pode até ser que tenha, mas bora escavar porque ela deve estar enterrada em algum canto.

*A foto é do Robert Doisneau.

Curta da vez: Éclat du jour

Já disse várias vezes aqui que filmes com crianças no elenco, principalmente quando todos são crianças, me chamam muita atenção e foi principalmente por isso que quis assistir esse. Éclat du jour – ou Daybreak, em inglês – é de Montreal e foi dirigido por Ian Langarde.

Tecnicamente falando, o filme é bom e bonito. Gostei dos enquadramentos, das locações, os movimentos de câmera são precisos, os figurinos bem naturais. Tudo isso combinado com diálogos mínimos, acabou criando uma vibe bem realista e natural mesmo, não tenho outra palavra, no sentido de que, pra mim, tudo aquilo poderia de fato acontecer e ser daquela forma.

O plano inicial do menino andando com o espelho foi excelente. Quem nunca fez isso? E o outro momento em que o outro menino estava, sei lá, testando seus limites ao brincar de ser enforcado e depois começa a fazer caretas foi esquisitíssimo, mas genial na minha opinião. Gosto desses momentos estranhos, que não dizem nada, que não estão tentando “passar uma mensagem”, mas que fazem todo o sentido de estarem ali.

Mas, mais do que o aspecto técnico, achei que o curta foi feliz em tratar desse momento da infância em que ser curioso, ser inocente, ser cruel, querer se divertir, está tudo junto e misturado. São linhas muito tênues que dividem todas essas situações exatamente porque quando somos crianças, somos crianças. Na maioria das vezes não sabemos a consequência do que fazemos. As coisas valem por si só no momento em que elas acontecem.

Enfim, é difícil dizer porque minha cabeça não pensa mais como quando eu era criança e não me lembro porque eu fazia as coisas que fazia. Mas, e acho que nesse ponto que o filme foi feliz, nós todos conhecemos a sensação de ser pegos, de estar fazendo algo errado, de ter magoado alguém, por maior que seja nossa inocência quando pequenos. É horrível quando percebemos que fizemos merda, né? E conhecemos esse sentimento e conseguimos lembrar dele justamente porque acredito que seja o mesmo que sentimos desde quando éramos crianças até hoje.

Esse não é o filme da minha vida, gente, não é o melhor curta que já vi, mas me fez pensar nessas coisas. E acho que quando um filme me faz pensar assim, ele foi bom pra mim. E se foi bom pra mim, eu fico com vontade de mostrar pra vocês!

E é isso. Me contem o que vocês acharam se assistirem!

Bom final de semana!

via Short of the week

Saudades da infância: Bonecas de papel

Se tem uma coisa da qual eu sinto saudades é das brincadeiras da minha infância. Eu e a Lívia, minha irmã, estamos sempre relembrando do que a gente costumava fazer juntas. Tem pouco tempo que fiz um post sobre bonecas assustadoras e mostrei algumas que a gente tinha. O post de hoje também é sobre bonecas, mas não, não sou colecionadora nem nada! Mas são os brinquedos que eu tinha quando era pequena.

2

Eu e a Lívia éramos fissuradas nessas bonecas de papel que vinham com várias roupinhas, acho que vocês devem conhecer! Nós já tivemos várias e essas aí conseguiram sobreviver ao tempo.

3

5

O mais interessante dessas bonecas(os) é que a experiência de brincar é totalmente diferente. Quando a gente tem uma boneca dessas tipo bebê o que importa é brincar com ela, de casinha mesmo, que seja. Mas com as de papel acontecia uma coisa muito diferente. Eu e minha irmã descobrimos que a gente não precisava só usar as roupas que vinham com elas, mas também criar outras.

6

4

Eu lembro que a gente passava horas e horas desenhando as roupinhas com o maior cuidado do mundo. A gente descobriu uma técnica que era a de desenhar numa revista ou num papel que já tivesse algum desenho porque aí a roupa já vinha com uma estampa, hahaha! Mas a questão é que era muito tempo dedicado a fazer as roupas pra na hora de brincar mesmo não ter tanta graça. O mais importante pra gente era o meio do caminho.

7

Olha a quantidade que a gente tem. Na verdade, que conseguimos guardar, porque muitas se perderam ou rasgaram. Como vocês viram tem umas que já estão sem os pés, sem alguns dedos…

Enfim, o tempo passou e a gente ganhou um computador. E não é que acabamos encontrando um site onde a gente podia brincar igual *.* Era o Dolls.com que ainda existe. Eu acho que na época ele tinha outro nome, mas não lembro agora. Ele foi criado pela Lia Camargo, do Just Lia.

Hoje o site tá com outra cara, mas vocês podem clicar aqui pra ver o dollmaker que eu usava. É exatamente o mesmo *.* Queria ter montado uma doll pra colocar aqui, mas meu flash tá com algum problema e o site não tá funcionando direito… Acontece que no site a gente passou a fazer a mesma coisa. A gente salvava as peças, os corpinhos e as cabeças no computador e mudava tudo no paint, hahaha!

blog dolls blog dolls

Achei uns exemplos no google imagens de como as Dolls ficam quando estão prontas. E eu fazia exatamente aquilo que a pessoa fez ali. Eu dava um nome pra cada cabeça, hahaha! Enfim, não tinha tanta graça quando as de papel, mas eu gastei longas horas na frente desse site.

Eu sei que tem outros sites nesse mesmo estilo até hoje, mas nunca parei pra ver. Na verdade, tem bem pouco tempo que fiquei sabendo que o Dolls.com ainda existe e fiquei até emocionada, hahaha!

Bom, esse é um pedacinho da saudade da minha infância… E vocês, sentem saudades do que?

Au revoir! (:

MashUp: Bonecas fofas e assustadoras

Quando eu e minha irmã éramos crianças, brincávamos 90% do tempo com bonecas. Era brincar de casinha, de escola, de fazer roupinhas. Era boneca grande, miniatura, de papel… enfim, era o que a gente gostava.

O mais engraçado é que a gente gostava das mais velhas e feias. Eu, por exemplo, tinha o Xuxu – sim, era um menino! – e eu nem sei por quantos anos brinquei com ele. Infelizmente, ele não teve um final feliz, como vocês podem ver. O Xuxu é esse que nem abre os olhos. A maquiada era da Lívia, haha!

Cópia de DSCN4203_resize

Por mais que a gente gostasse de brincar, de noite sempre rolavam umas coisas estranhas porque as bonecas ficavam guardadas perto da gente. Eu morria de medo delas a noite. Cismava que alguma estava mexendo. Tinham algumas bonecas que ficavam em cima do guarda-roupa e a Lívia jurava que os olhos delas ficavam vermelhos, hahaha!

Não dá pra negar que bonecas são meio assustadoras, né? Esse sorriso e esses olhos arregalados não enganam ninguém! Por isso tive a ideia de fazer esse mash up. Tem dois curtas bem legais que se passam em ambientes parecidos e que tem as bonecas como personagens e achei que tinha tudo a ver junta-los!

O primeiro é o Alma, dirigido pelo espanhol Rodrigo Blass. O curta é de 2010 e o site oficial deles é muito bonito, vale a pena ver.  Descobri esse curta meio por acaso no Vimeo e gostei de primeira. Como vocês já devem ter percebido, não gosto muito de falar dos filmes antes de alguém ter assistido, então… Vou continuar mantendo essa posição, haha!

O segundo é o Lâmpada (Lampa, no original), dirigido em 1959 pelo Roman Polanski. Eu gosto muito dos filmes dele, o último que assisti foi O Inquilino e recomendo muito! Mas meus favoritos são Chinatown e O Bebê de Rosemary. Se você nunca assistiu nenhum, tá na hora, haha!

Esteticamente e tematicamente são bem diferentes, mas achei que tem algo aí que liga os dois, haha!

O que vocês acharam? (:

Atualmente, não temos mais bonecas no nosso quarto, só umas bonequinhas japonesas de madeira e umas matrioshkas. Mas conheço bastante gente que faz coleções de bonecas até hoje – inclusive umas delas é minha avó! Enfim, hoje em dia temos medo de outras coisas, haha!

Espero que tenham gostado das dicas!

Au revoir!