Graça Infinita – Diário de leitura #1

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Não me lembro exatamente onde ouvi falar sobre o Graça Infinita. Acho que foi no canal da Tatiana Feltrin, que estava lendo em português e em inglês ao mesmo tempo na época.

Tudo o que eu sabia – que não mudou tanto até o momento – é que o livro tratava da história de uma família, os Incandenza, cujo pai era cineasta e os filhos jogavam tênis. E tudo se passava num futuro onde rolou uma treta entre os EUA e o Canadá.

Enfim, decidi dar o livro de presente pro Dudu. E ele começou a ler e não parou mais. Dava altas risadas, depois ficava de bad e dizia que o livro era pesado, depois me contava casos loucos de alguns personagens. Um loop de emoções!

Não resisti e comecei a ler também, claro.

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Alguns dados técnicos:

O livro foi lançado no Brasil pela Companhia das Letras (o título original em inglês é Infinite Jest) nessa edição super bonita! Só acho que a capa poderia ser mais grossa porque o livro tem 1136 páginas e com o tempo ele vai ficando meio desengonçado. É um calhamaço mesmo, impossível de manter em perfeito estado.

Quem escreveu foi o David Foster Wallace. Olha, sei que ele é famoso, mas nunca tinha ouvido falar. Por causa do livro, pesquisei por alto algumas coisas e fiquei sabendo que ele era um desses meio gênios meio loucos, que escreveu outras obras incríveis, mas que passou por muitos problemas com depressão e drogas e acabou se suicidando em 2008.

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Enfim, o diário de leitura:

Estou na página 143, o que é bem pouco em relação ao tamanho do livro (mais ou menos 13%, de acordo com o skoob). Acontece que já aconteceram milhões de coisas nessas páginas, já apareceram vários personagens que inclusive esqueci o nome, então resolvi fazer um caderninho pra ir anotando tudo porque achei que seria prudente. Apesar de estar no início, já posso garantir que o livro é MUITO bom e realmente não dá vontade de parar de ler. Não vou dar detalhes do que já li da história porque qualquer palavrinha tira a graça (infinita hehe). E também porque li pouco.

Mas posso contar que ele não é escrito de forma linear, então é bem fácil de se sentir perdido na história. Só no início. Depois a gente meio que acostuma com o formato e segue em frente porque sabemos que uma hora as coisas vão se explicar.

Estou realmente impressionada com a escrita do DFW. Ele tem uma capacidade de descrição incrível! Principalmente quando se trata de coisas banais. Acho que até mais do que isso, ele dá atenção às coisas banais, fatos que eu nunca pensaria em ver comentados assim no meio de uma história de boas (por exemplo, a posição que o cara fica quando ele está sentado no vaso sanitário).

Além disso, ele consegue mudar a forma como escreve dependendo de qual personagem está narrando o capítulo. E são muitos! O que mais me impressionou até agora foi um cara – não foi revelado o nome. Ele se refere a si próprio como “aquele que vos fala” – que descreveu toda uma situação em 7 páginas e meia, quase sem pontuação nenhuma e com apenas 2 quebras de parágrafo (é o trecho que está na foto acima). É uma loucura, a gente realmente fica cansado e ofegante no final! Isso é muito bom porque ajuda a dar o tom e o clima da história, além de conhecermos os personagens de uma outra maneira. Pode ser que a gente nem saiba o nome dele ou porque cargas d’água o autor enfiou aquela história ali, mas por causa dessa escrita genialística (eu sei que essa palavra não existe, mas DFW inventa palavras o tempo todo e que fazem todo o sentido! Dá muita vontade de inventar também) a gente entra de cabeça no que está sendo contado.

Apesar do título e das passagens realmente engraçadas e divertidas do livro, a história tem um lado meio dark que faz a coisa ficar pesada. Tem momentos e situações que certos personagens vivem muito depressivas e depoimentos tristes que fazem a gente pensar em algumas coisas. Sinto que tem muita coisa por vir ainda nesse sentido e que o livro vai ter uma tendência a ficar mais dark. Veremos.

Por fim, mas não menos importante: o livro tem MUITAS notas de rodapé. E notas nas notas de rodapé, tipo 3 níveis de notas. Então você precisa de, pelo menos, dois marcadores pra ajudar a localizar tudo. E muita paciência pra ficar ir e voltando no começo e no final desse tijolão. Acho que o DFW fez de propósito!

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Bom, acho que vou terminar por aqui essas minhas primeiras impressões. Tem sido realmente uma leitura muito boa, apesar de cansativa em alguns momentos. E dolorida também. Sério, pra segurar esse livrão é necessário estar sentada numa boa posição e numa boa cadeira. Não rola de ficar de qualquer jeito no sofá!

Ainda fico meio insegura de falar sobre a história porque não sei muita coisa. Os fatos ainda estão muito picados e soltos, mas espero que no próximo diário eu já possa dar umas dicas pra vocês e falar mais especificamente sobre os personagens. Posso pedir o Dudu pra me ajudar também, ele já está lá na frente, depois da página 500.

No mais, espero pelo menos ter deixado vocês curiosos! Já sou uma defensora e garota propaganda do livro!

Mais alguém aí conhece Graça Infinita? Ou outros do DFW? Me contem!

Orange is the new black: algumas impressões

Então, OITNB é uma daquelas séries que eu sempre ouvia todo mundo comentar, mas nunca quis assistir. Sabe como é quando a gente pensa ah-acho-que-não-é-o-tipo-de-coisa-que-eu-gosto e adeus.

Mas daí, tenho um amigo, o Otávio, que assiste e gosta muito e, daí, vi (de relance, não queria ter spoilers haha) esse post da Isa. Pensei que os dois foram minhas duas influências pra assistir séries nos últimos tempos e os dois são pessoas maravilhosas, então… por que não? Também já não aguentava mais ver gifs super legais da série por aí, então foi o sinal que eu precisava!

Ainda estou no meio da segunda temporada, mas como sei que muitos de vocês assistem, e estou sonhando com a série quase todos os dias (de verdade!), achei que seria legal compartilhar as (seis) coisas que tenho pensado sobre.

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1.Dizer que uma pessoa é boa ou é má e que ela deve ser punida de tal forma por causa de tal coisa que ela fez me parece bem mais complicado do que parece. Justiça não é uma coisa simples e eu, pessoalmente, não acredito na justiça que temos hoje. Mas enfim, tenho uma experiência pessoal com alguém muito próximo que esteve na prisão e a série tem me feito pensar muito em como as pessoas, as vezes, são levadas a fazer coisas horríveis e como isso, definitivamente, não define quem elas são.

2. Junto com isso tudo aí, é impossível não pensar na condição da mulher não só dentro da prisão, como fora também. Como elas chegaram até ali, coisas que elas tiveram que se submeter pra terem uma vida digna, sustentarem suas famílias, conseguir dinheiro, serem aceitas, e como elas tem que continuar aguentando insultos, assédios, violências sem nem ter o direito de se defender. E essas são coisas que estão acontecendo aqui na nossa esquina, né gente, sem o glamour de Litchfield.

3. Isso tudo aí que eu falei só é possível porque são contadas histórias chocantes e incríveis sobre essas mulheres. Vale lembrar que a série é baseada no livro escrito pela própria Piper, que é a personagem principal.

4. Existem MUITAS maneiras de falar vagina em inglês, tô assustada! Será que alguém fez um glossário?

5. Eu queria MUITO ser amiga da Poussey! <3 <3 <3

6. Suzanne é a melhor personagem que você vai encontrar numa série! Tô louca pra conhecer a história inteira dela! <3

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Então, como falei, não estou em dia com a série, mas… estou amando. Tirando uns mimimis românticos que sempre aparecem (sou muito implicante com isso, sorry!), não tenho nada pra reclamar, exceto que só tem mais a terceira temporada pela frente, então acho que vou combinar com o Dudu de assistir mais devagarzinho. Mentira, nunca consiguiremos, hahaha!

É isso tudo, pessoal! Quem assiste aí? Estão amando também?