A Contadora de Filmes | Livros & Cinema

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Ainda estou na dúvida se esse livro é bonito demais ou triste demais. Acho que são os dois extremos, afinal, uma coisa não exclui a outra.

No meio do deserto árido do Atacama, no Chile, moravam Maria Margarita e sua família. Por incrível que pareça, naquele vilarejo pobre havia uma sala de cinema, mas a família não tinha dinheiro para que todos pudessem ir sempre. Como todos gostavam muito dos filmes, Maria Margarita foi escolhida para ir às sessões, voltar para casa e contar o filme para os outros.

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Assim, eles descobriram no cinema uma possibilidade de transcender a triste realidade em que viviam. E mais do que isso, contagiaram a todos do povoado com as narrações cheias de vida que a menina fazia.

Naquele tempo descobri que todo mundo gosta que alguém conte histórias. Todos querem sair da realidade um momento e viver esses mundos de ficção dos filmes, das radionovelas, dos romances. Gostam até que alguém lhes conte mentiras, se essas mentiras fossem bem contadas. Essa é a razão do êxito dos embusteiros de fala hábil.”

Além da escrita belíssima do Hernán Rivera, achei que ele coloca o cinema no seu lugar mais importante, na minha opinião, que é o encontro com o espectador. Não é preciso ser especialista para gostar de um filme, conhecer diretores, atores, para se apaixonar por uma história. Com o tempo, essas coisas virão, caso seja do interesse de cada um, mas não há pré-requisito para ser espectador de filme. E mais, não há pré-requisito para você fazer o que quiser com o filme uma vez que ele está dentro da sua cabeça.

A família de Maria Margarita e os moradores do vilarejo não assistiam aos filmes, eles assistiam a interpretação da menina, com sua voz e gestos. Uma vez que o filme está na nossa cabeça, ele se transforma, se mistura com a gente. Para mim, Maria Margarita é uma materialização dessa possibilidade que o cinema tem.

Então, subo até a torre da igreja para contemplar o horizonte. Cada crepúsculo é como a panorâmica final de um velho filme, um filme em tecnicolor e cinemascope – e o ruído do vento batendo nas chapas de zinco é a trilha Sonora. Um filme repetido dia após dia. Ás vezes triste, às vezes menos triste.”

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Eu estava presente quando uma pessoa presenteou a outra com A Contadora de Filmes e isso foi há bastante tempo. Recentemente, numa daquelas mega promoções que a Cosac Naify faz, decidi comprar e, vou dizer, está entre um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Ele é visualmente lindíssimo também. Não dá pra esperar menos da Cosac. O projeto gráfico é bonito demais e ele é bem pequeno, então dá pra colocar na bolsa e levar por aí sem incômodos.

E não é livro só pra quem gosta de cinema, não, viu? É livro pra quem gosta de história bonita. E um pouco triste também.

(Esse post faz parte do projeto Livros & Cinema. Clique aqui para conhecer!)

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