The end of the tour

Imagine que você é um jornalista e que teve a oportunidade de passar alguns dias entrevistando e viajando com um de seus ídolos. É isso que acontece em The end of the tour. O jornalista e escritor David Lipsky trabalhava pra Rolling Stone e conseguiu convencer seu editor a acompanhar David Foster Wallace na turnê de lançamento do Graça Infinita.

Em primeiro lugar, queria só deixar claro que eu realmente gostei do filme e não estou indicando só porque eu li Graça Infinita. É bom e você não precisa saber nada do DFW pra assistir. Na verdade, acho que o filme é meio que uma homenagem a ele e com certeza acabou se tornando uma ótima maneira de conhecê-lo.

Eu mesma não sabia muita coisa. Não costumo pesquisar tanto sobre um autor/diretor/artista antes de ter contato com a obra em si, então o filme acabou sendo bem surpreendente em muitos aspectos.

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Mas, como eu dizia, embora tudo aconteça durante a turnê do Graça Infinita, o filme é sobre o encontro dessas duas pessoas e não sobre o livro.

Um ponto interessante nisso tudo é essa relação entre um ídolo e seu admirador, especialmente quando os dois tem o mesmo trabalho. David Lispky também era escritor e tinha acabado de lançar um romance. DFW já era gigante e famoso e todo mundo queria ouvi-lo falar sobre seu livro. A impressão é que DFW tinha chegado aonde ele queria chegar, alcançou o topo, mas não parecia que isso o deixava muito feliz ou realizado, enquanto tudo que Lispky queria era ser como ele e ter aquela vida.

Então é uma relação meio conturbada, com muitos altos e baixos, em que tudo acontece ao mesmo tempo: você está feliz de estar com seu ídolo, sente muita admiração, mas também inveja e raiva porque talvez ele não valorize coisas que você valorizaria. Nunca tive a oportunidade de conhecer assim um ídolo de perto, mas imagino que devem acontecer coisas parecidas, ele provavelmente não vai ser aquilo que você imagina exatamente.

O filme também é muito bom pros aspirantes a escritor ou a jornalista. Ambos os personagens são escritores, então tem muito sobre os processos de escrita e relação entre as ideias e a realidade. E Lipsky, naquele momento, (além de admirador de DFW e escritor) estava trabalhando como jornalista, então é possível ver um pouco da relação conflituosa entre ele e seu editor, que quer porque quer arrancar uma informação de DFW sobre um assunto que Lipsky notou que seria difícil de conversar. Esses são alguns aspectos que também tornam o filme muito interessante mesmo pra quem não conhece  DFW.

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No mais, só tenho a dizer que DFW foi uma personalidade muito interessante. Meio excêntrico, com um jeito meio peculiar de agir e falar, mas extremamente inteligente. Depois fui ver/ouvir umas entrevistas com ele no youtube e é bem fascinante o que ele fala e a maneira como ele coloca tudo com uma clareza e inteligência (de novo) e você fica meio uau. Mal posso esperar pra ler outros trabalhos dele.

E, no mais mais, quem assistiu How I Met Your Mother acredito que vai ficar tão impressionado quanto eu fiquei ao ver o Jason Segel – o Marshall – no papel do DFW. Meu queixo parou no chão quando assisti ao trailer e vi que era ele e que parecia uma pessoa totalmente diferente. Assistam!

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As alegrias de 2015

Chegou aquela hora do último texto que vou escrever por aqui relembrando as coisas mais legais que li/assisti em 2015. Como já comentei, este ano foi meio diferente, li muito e assisti a bem poucos filmes. Na sala de cinema, então, posso contar nos dedos as vezes em que fui. Mas não estou reclamando, tá tudo muito bem, obrigada.

Começando com a melhor coisa que talvez tenha acontecido comigo: eu finalmente terminei o mestrado no primeiro semestre. Acho até que esse volume de leituras foi resultado dessa liberdade que de repente apareceu pra mim. Finalmente tive tempo pra ler aquele monte de livros que eu comprei e estavam ali parados. Mentira, comprei um monte no caminho! Da onde vem esse descontrole, gente?

A segunda melhor coisa desse ano foi que eu e mais meus amigos fizemos um filme. Foram meses e meses de trabalho e contei sobre o processo aqui no blog, pra quem se interessar em saber como foi.

E agora, vamos à lista! Acho que vale lembrar que sim, muitos outros filmes e livros foram legais, mas tem sempre aqueles que aparecem na nossa cabeça primeiro e foram esses que escolhi. Claro, com algum padrão porque não consigo fugir disso, hehe. Então, tem 6 de cada.

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Filmes

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Amores expressos e Amor à flor da pele: Apesar de só ter resenha do primeiro filme aqui no blog, os dois foram boas descobertas desse ano. Wong Kar-Wai é um diretor que fico triste de não ter conhecido antes porque não tem absolutamente nada que eu não tenha gostado nos filmes dele. As histórias são boas, os personagens melhores ainda e a trilha totalmente maravilhosa. Junto com esses filmes, tem mais um, componho mais ou menos uma triologia. Certamente vou querer escrever algo depois que assistir aos três. Enquanto isso, se não conhecem, vão correndo procurar!

Mommy: Não escrevi sobre esse filme aqui no blog e não sei o motivo, porque foi ótimo. Foi o primeiro que assisti em 2015 lá no Cine Santa em Santa Teresa, no Rio. Foi um filme bem diferente, falado num sotaque quebequense que eu não conhecia, em uma cidade diferente, durante ótimas férias. Então só me traz boas recordações. Com certeza merece um post à parte, mas aqui vai o trailer se você não conhece!

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Que horas ela volta?: Imagino que muitos de vocês já tenham ouvido falar ou já assistiram a esse filme. Eu juro que não queria ver porque eu não vou com a cara da Regina Casé e jurava que era um filme de comédia. Puro preconceito, reconheço. Mas então só ouvi elogios e resolvi dar uma chance. Foi uma super surpresa porque o filme é bom demais, Regina Casé foi espetacular e a Jéssica mais ainda. Merece ser assistido ainda mais porque levanta questões muito importantes. Com certeza esse filme vai aparecer aqui de novo com mais calma, aguardem.

Precisamos falar sobre o Kevin: Eita que eu já rasguei ceda demais pra esse filme no blog. E com toda razão! Estávamos esperando muito pra assistir e superou as expectativas.

Pierrot le fou: Se você já conhece o blog há um tempinho, deve saber que gosto muitos dos filmes do Godard e que minha deusa é a Anna Karina. Pierrot le fou é um dos meus filmes preferidos da vida e já assisti umas 6 vezes. Mas esse ano tive a oportunidade de assisti-lo no cinema, em película, grandão, lindo do jeito que ele é, na Retrospectiva Jean-Luc Cinema Godard que aconteceu aqui no Brasil. Eu nunca pensei que assistiria a um filme dele no cinema, ainda mais Pierrot le fou! Foi de chorar, um dos clímax desse ano!

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Livros

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Graça Infinita: Eu acho, gente, que não tenho mais nada pra falar sobre esse livro. Ou melhor, não quero começar a falar de novo. Então, apenas leia o que já escrevi sobre que vocês vão entender meus motivos.

O Livro do Travesseiro: Antes do Graça Infinita tomar o posto de melhor livro do ano, O Livro do Travesseiro era o escolhido. Foi um presente surpresa e eu nunca tinha falado dele antes, mas acabou se tornando um dos meus preferidos. Escrevi um looongo post sobre ele aqui no blog.

O Livro do Chá: Seguindo a linha oriental, chás não foi exatamente o assunto que eu mais falei sobre aqui no blog em 2015, mas eu continuo gostando muito deles. E esse livro é bem interessante pra quem quer saber um pouco sobre a história dos chás e sobre a história do Japão e da China. Também rolou texto sobre ele por aqui.

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O Livro das Semelhanças: Pois é, eis que esse ano foi de descobertas na poesia pra mim. Sempre fui travada pra ler, mas alguma coisa mudou. Provavelmente o Rabo de Baleia me ajudou bastante, mas O Livro das Semelhanças realmente me pegou. Acho difícil de explicar essas coisas, simplesmente o santo bateu, alguma coisa me tocou ali. Coloquei um poesia aqui no blog, depois leiam lá se quiserem conhecer!

Vincent: Esse ainda não deu as caras aqui no blog, mas é porque estou guardando pra fazer um vídeo com as Três razões para ler. Vincent é uma biografia ilustrada em quadrinhos da vida do Van Gogh. Primeiro: que história de vida a dele, gente, sério. É emocionante e muito triste. E o trabalho da ilustradora é incrível. Vale a pena demais dar uma folheada. Quase que dá pra ler de uma vez só se vocês sentarem na livraria. Mas eu recomendo levá-lo pra casa, claro.

Rua de mão única / Infância berlinense 1900: Esse livro (que na verdade são 2 dentro do mesmo) foi escrito pelo Walter Benjamin, talvez um dos filósofos mais importantes dos últimos tempos. Li esse logo depois de O Livro do Travesseiro porque a estrutura é parecida. Esse é um livro de fragmentos, pensamentos, observações, listas que Benjamin fez sobre os mais diversos assuntos, sua vida pessoal, sua infância, política, filosofia e por aí vai. É de uma riqueza sem fim. Ele te faz pensar sobre tudo isso, além de ter uma capacidade de descrição e uma imaginação incrível. Não foi o livro mais fácil que li, mas vale cada palavrinha.

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Extras

A vida não é só feita de filmes e livros, também é feita de: séries.

Eu prometi que vou escrever sobre Bojack the Horseman e vou cumprir, mas simplesmente não posso deixar de falar aqui de novo que ela entrou pro meu rol de séries favoritas-por-favor-não-acabe-nunca! A trilha da série é meu novo toque de celular pra vocês terem ideia do nível da coisa.

Ainda sobre séries, tenho que citar Orange is the new black e Master of None, que foram ótimas descobertas desse ano. Netflix chegou pra dominar, né? Já percebemos.

A vida também é feita de lugares e pessoas, não é mesmo? Esse fui pra SP duas vezes e pude encontrar pessoas muito queridas que conheci por causa do blog e foi bom demais da conta. Tão triste que isso passa tão rápido… Ingrid, Ferds e Isa, muito obrigada pela receptividade e pelo papo, de verdade. Não vejo a hora de voltar!

E muito obrigada a todos vocês que visitam esse blog! Apesar de ter ficado afastada nos últimos tempos, vocês continuam vindo aqui e isso só me deixa feliz.

Por hoje é só!

Graça Infinita – Diário de leitura #fim

No primeiro post do Diário de leitura de Graça Infinita, em julho, eu estava na página 143. No dia 19 desse mês, exatamente às 21h da noite, eu terminei de ler o livro. Desde então estou assim: por onde começar a escrever sobre ele?

Poderia dizer que é um dos melhores livros que já li na vida? Poderia. Poderia dizer que ri e chorei enquanto lia? Poderia. Que David Foster Wallace tinha uma mente brilhante? Que ele conseguiu prever algumas coisas na década de 90 que estão acontecendo hoje? Que os personagens são excêntrico porém muito reais? Poderia. Poderia falar um monte de coisas. Então resolvi que vou mais fazer um registro da minha experiência de ter lido esse livro do que uma resenha em si (até porque eu não conseguiria fazer uma resenha).

Vou começar dizendo que acabei de acabar de ler, mas já estou pronta pra ler de novo. Na verdade, a única coisa que eu quis fazer quando terminei, foi começar novamente. É irresistível. Já relemos algumas coisas (Dudu também terminou a leitura), mas não vou encarar tudo de novo agora. Acho que vou marcar uma data pra reler.

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É engraçado porque geralmente nos interessamos por um livro por causa de sua história ou do tema ou do autor… mas eu sabia muito pouco sobre o Graça e não lembro direito os motivos pelos quais resolvi comprá-lo. E quando ele chegou em casa e meu namorado começou a ler ele me disse: não leia a sinopse que está na contracapa. E não li. Então foi tudo meio às cegas. Por causa disso, estou meio travada pra escrever aqui. Não gostaria de dar mais informações do que eu tinha quando conheci o livro, seria meio contraditório, sabe como é?

Mas enfim, como contei no primeiro Diário de leitura, fiquei perdida no começo. A história não é contada de maneira linear, não há apresentações muito formais dos personagens. Tem situações e episódios um pouco surreais deslocados dentro dos capítulos, que aparecem e somem sem explicação. Tem quase 200 páginas de notas de rodapé. E tem muitos, mas muitos personagens.

Agora, depois de conhecer toda a história, posso contar pra vocês um pouquinho com mais segurança, mas é basicamente o que eu sabia antes de ler. Tem dois grandes núcleos de personagens no livro. O primeiro envolve a família Incandenza (James e Avril e os filhos Hal, Mario e Orin) e a Academia de Tênis Enfield, onde Hal estuda e treina tênis, junto com mais um monte de outras crianças e adolescentes. E o segundo núcleo envolve a Casa Ennet, um centro de reabilitação para usuários de drogas. O que tinha me deixado mais curiosa pra ler no início foi o fato de James Incandenza ser um cineasta que tinha feito um filme assim muito espetacular capaz de mudar a vida das pessoas. Como tudo iria se encaixar no livro, ainda não sabia, mas eram muitas páginas e certamente uma hora tudo iria se explicar. E isso é só o que tenho pra contar porque, vou ser sincera, a história que envolve toda essa gente é boa, mas o livro não é só sobre isso.

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David Foster Wallace conseguiu descrever as pessoas e a sociedade de um jeito que eu nunca vi em outro lugar. É degradação humana atrás de degradação humana, de todos os tipos e em vários níveis. É um livro sobre como viver e morrer, sobre o relacionamento humano (principalmente o familiar), sobre Entretenimentos, sobre a mídia, sobre vícios e obsessões. E não importa se você não é um adolescente campeão no tênis ou um traficante ou um assassino ou um drogado em reabilitação ou uma locutora misteriosa de um programa de rádio, de uma maneira ou de outra você vai acabar se identificando com eles. Por mais horrorosa que seja a história que DFW escreve sobre esses personagens estranhos, ele simplesmente arrumou um jeito de (nessa diferença absurda entre nós e eles) encontrar coisas comuns, problemas, atitudes, decisões de vida que vamos enfrentar ou que já enfrentamos um dia.

Acho que foi uma das coisas que mais me deixou abalada pelo livro. Tá todo mundo fodido e ninguém escapa das fragilidades da vida. Viver é difícil, conviver também, perceber os problemas e perceber que tem gente que não consegue resolvê-los ou que tem gente que não tem outra opção senão encarar aquilo tudo ou que sabemos como tudo poderia ser melhor, mas simplesmente não temos coragem pra mudar… tá tudo aí nessa história. É difícil ouvir verdades e é difícil notar que somos partes de um sistema que, muitas vezes, não quer deixar a gente sair dele.

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Pra mim, o Graça teve 3 estágios. Primeiro, a gente começa a ler e fala ah, que merda é essa, não tô entendo pra onde essa história vai. Quem é essa pessoa? O que é essa sigla? Me dá uma explicaçãozinha! Aí, no segundo estágio, a gente passa a conhecer os personagens e algumas questões centrais e tudo começa a se ligar. Nos chateamos com algumas partes meio longas que continuam sem explicação, mas decidimos Aguentar Firme porque tem alguma coisa ali muito interessante e bizarra. O último estágio é o da Entrega, é pra quem decidiu passar da metade do livro e já tá, como posso dizer, vivendo o livro, falando dele o dia inteiro, pensando nele, indo tomar café da manhã, indo dormir com ele do lado. Não importa se tem pedaço grande, não importa mais nada, importa que Já Era Estou Envolvida e Nunca Mais Vou Conseguir Largar. É um relacionamento mesmo, um casamento.

Claro que isso não é regra, é só o que aconteceu comigo, é só a minha história com a história do livro. Eu tive pesadelos bem ruins por causa dele, chorei num restaurante por causa dele e também dei muita risada, não vou mentir. O humor do DFW é uma coisa incrível. Você começa rindo muito e depois termina pensando que tá rindo pra não chorar. Montanha-russa de emoções. Ou, eu diria, um carrossel.

Como escrevi no início, poderia falar muitas coisas, mas escolhi falar só isso ou então nunca conseguiria terminar de escrever esse texto. Posso garantir pra vocês que Graça Infinita foi um livro que me modificou tanto como leitora (escrevi mais sobre isso no primeiro Diário de leitura) quanto como pessoa, essa mera mortal que sou. E ainda estou meio desestabilizada pra encarar outras leituras, não vou mentir. Mas vamos seguindo. Qualquer hora leio tudo de novo porque o negócio é infinito mesmo.

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E, agora, três dicas para os futuros leitores desse livro:

Dica 1: tenha dois marcadores de livro, um para a leitura normal e outro para as notas de rodapé porque você vai ter que ir e voltar muitas vezes e é um saco ficar procurando as páginas.

Dica 2: marque tudo que você achar que é interessante, importante, relevante, bonito, triste durante a leitura. Marque do jeito que você quiser, com post-its, anotações, etc, só não deixe de marcar. Você vai querer voltar, você vai querer relembrar e a gente simplesmente vai esquecendo as coisas com o passar das páginas.

Dica 3: DFW inventa e modifica muitas palavras. Ele fala muitos termos técnicos de medicina, esporte, química e outros. Ele também faz frases longas, às vezes sem pontuação. Às vezes tem páginas e páginas sem um paragrafozinho sequer e isso deixa a leitura bem cansativa. Minha sugestão é: se você não entendeu alguma coisa – principalmente se você for ler em inglês – tente recorrer a algum site de tradução ou a dicionário básico. Caso não encontre respostas, tente não consultar nenhum tipo de wikipedia-infinite-jest porque as chances de você ler algum spoiler ou explicação pra alguma coisa que vai se explicar depois são grandes. Então, interprete e siga com a leitura. Aguentar Firme, é o lema.

(Graça Infinita foi traduzido pelo Caetano W. Galindo e publicado pela Companhia das Letras em 2014. O título original é Infinite Jest e foi publicado pela primeira vez em 1996)

Graça Infinita – Diário de leitura #1

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Não me lembro exatamente onde ouvi falar sobre o Graça Infinita. Acho que foi no canal da Tatiana Feltrin, que estava lendo em português e em inglês ao mesmo tempo na época.

Tudo o que eu sabia – que não mudou tanto até o momento – é que o livro tratava da história de uma família, os Incandenza, cujo pai era cineasta e os filhos jogavam tênis. E tudo se passava num futuro onde rolou uma treta entre os EUA e o Canadá.

Enfim, decidi dar o livro de presente pro Dudu. E ele começou a ler e não parou mais. Dava altas risadas, depois ficava de bad e dizia que o livro era pesado, depois me contava casos loucos de alguns personagens. Um loop de emoções!

Não resisti e comecei a ler também, claro.

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Alguns dados técnicos:

O livro foi lançado no Brasil pela Companhia das Letras (o título original em inglês é Infinite Jest) nessa edição super bonita! Só acho que a capa poderia ser mais grossa porque o livro tem 1136 páginas e com o tempo ele vai ficando meio desengonçado. É um calhamaço mesmo, impossível de manter em perfeito estado.

Quem escreveu foi o David Foster Wallace. Olha, sei que ele é famoso, mas nunca tinha ouvido falar. Por causa do livro, pesquisei por alto algumas coisas e fiquei sabendo que ele era um desses meio gênios meio loucos, que escreveu outras obras incríveis, mas que passou por muitos problemas com depressão e drogas e acabou se suicidando em 2008.

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Enfim, o diário de leitura:

Estou na página 143, o que é bem pouco em relação ao tamanho do livro (mais ou menos 13%, de acordo com o skoob). Acontece que já aconteceram milhões de coisas nessas páginas, já apareceram vários personagens que inclusive esqueci o nome, então resolvi fazer um caderninho pra ir anotando tudo porque achei que seria prudente. Apesar de estar no início, já posso garantir que o livro é MUITO bom e realmente não dá vontade de parar de ler. Não vou dar detalhes do que já li da história porque qualquer palavrinha tira a graça (infinita hehe). E também porque li pouco.

Mas posso contar que ele não é escrito de forma linear, então é bem fácil de se sentir perdido na história. Só no início. Depois a gente meio que acostuma com o formato e segue em frente porque sabemos que uma hora as coisas vão se explicar.

Estou realmente impressionada com a escrita do DFW. Ele tem uma capacidade de descrição incrível! Principalmente quando se trata de coisas banais. Acho que até mais do que isso, ele dá atenção às coisas banais, fatos que eu nunca pensaria em ver comentados assim no meio de uma história de boas (por exemplo, a posição que o cara fica quando ele está sentado no vaso sanitário).

Além disso, ele consegue mudar a forma como escreve dependendo de qual personagem está narrando o capítulo. E são muitos! O que mais me impressionou até agora foi um cara – não foi revelado o nome. Ele se refere a si próprio como “aquele que vos fala” – que descreveu toda uma situação em 7 páginas e meia, quase sem pontuação nenhuma e com apenas 2 quebras de parágrafo (é o trecho que está na foto acima). É uma loucura, a gente realmente fica cansado e ofegante no final! Isso é muito bom porque ajuda a dar o tom e o clima da história, além de conhecermos os personagens de uma outra maneira. Pode ser que a gente nem saiba o nome dele ou porque cargas d’água o autor enfiou aquela história ali, mas por causa dessa escrita genialística (eu sei que essa palavra não existe, mas DFW inventa palavras o tempo todo e que fazem todo o sentido! Dá muita vontade de inventar também) a gente entra de cabeça no que está sendo contado.

Apesar do título e das passagens realmente engraçadas e divertidas do livro, a história tem um lado meio dark que faz a coisa ficar pesada. Tem momentos e situações que certos personagens vivem muito depressivas e depoimentos tristes que fazem a gente pensar em algumas coisas. Sinto que tem muita coisa por vir ainda nesse sentido e que o livro vai ter uma tendência a ficar mais dark. Veremos.

Por fim, mas não menos importante: o livro tem MUITAS notas de rodapé. E notas nas notas de rodapé, tipo 3 níveis de notas. Então você precisa de, pelo menos, dois marcadores pra ajudar a localizar tudo. E muita paciência pra ficar ir e voltando no começo e no final desse tijolão. Acho que o DFW fez de propósito!

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Bom, acho que vou terminar por aqui essas minhas primeiras impressões. Tem sido realmente uma leitura muito boa, apesar de cansativa em alguns momentos. E dolorida também. Sério, pra segurar esse livrão é necessário estar sentada numa boa posição e numa boa cadeira. Não rola de ficar de qualquer jeito no sofá!

Ainda fico meio insegura de falar sobre a história porque não sei muita coisa. Os fatos ainda estão muito picados e soltos, mas espero que no próximo diário eu já possa dar umas dicas pra vocês e falar mais especificamente sobre os personagens. Posso pedir o Dudu pra me ajudar também, ele já está lá na frente, depois da página 500.

No mais, espero pelo menos ter deixado vocês curiosos! Já sou uma defensora e garota propaganda do livro!

Mais alguém aí conhece Graça Infinita? Ou outros do DFW? Me contem!