Eles Voltam: o melhor filme de todos os tempos da última semana

“É um filme sobre gente, sobre momentos e sobre pequenos encontros que todas as pessoas passam. Sugiro que prestem mais atenção a esses momentos”, essas são as palavras de Marcelo Lordello, o diretor do longa Eles Voltam. Parece uma mensagem um tanto simples e generalista. Mais simples ainda é a história que o filme conta: Cris e seu irmão Peu são deixados na beira da estrada por seus pais como forma de castigo. Eles tem duas opções, ficar ali esperando ou arrumar uma maneira de voltar para casa.

Toda essa simplicidade foi muitíssimo bem trabalhada por Marcelo, que fez um dos filmes mais bonitos que vi nos últimos tempos. Ele passou no Primeiro Plano (falei um pouco do festival no último post!) e fiquei feliz de ter assistido. Mas vai estrear em circuito comercial \o/ Na verdade, eu já tinha ouvido falar do filme porque ele ganhou muitos prêmios. Ganhou melhor longa de ficção, melhor atriz e melhor atriz coadjuvante no Festival de Brasília.

Prêmios merecidíssimos. Estou boquiaberta até agora com a atuação. Malu – a protagonista – era filha de alguém que o diretor conhecia e foi assim que se encontraram. Ela tinha doze anos quando topou fazer o filme. Quero dicas da direção de atores, gente, haha. E isso não só por conta da protagonista. Pelo que li rapidamente nos créditos, parece que eles também gravaram num assentamento do MST e certamente aquelas pessoas também não era atores profissionais e é impressionante a naturalidade e a realidade que eles conseguiram passar no filme.

Eles Voltam é de Pernambuco, lugar de onde tem saído alguns destaques do cinema nacional atualmente, como Kleber Mendonça, do premiadíssimo O Som ao Redor, e os meninos do Alumbramento, do Estrada para Ythaca. O que mais me chama atenção é que o filme foi feitos com poucos recursos – a ideia inicial era que fosse um curta-metragem – mas isso não fica aparente de jeito nenhum.

Isso, para mim, afasta e reforça duas ideias ao mesmo tempo. A primeira é que é uma besteira isso de que agora como todo mundo tem câmera, todo mundo filma e fotografa o tempo todo, perdeu-se a qualidade porque afinal ninguém pensa mais antes de apertar o botão, etc. A segunda é que um bom equipamento e técnica podem ajudar a fazer o filme ficar melhor, mas não é determinante de um bom filme. Esse ano no festival vi curtas de estudantes das melhores faculdades de cinema do Brasil, com a técnica impecável e atores Globais, mas que no final a gente falava: nhé.

Porque o que importa é mais do que uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Marcelo Lordello teve um olhar, uma sensibilidade e disse algo as pessoas – pelo menos para maioria das que eu conversei sobre o filme. Não era nada espetacular, extraordinário, com uma super lição de moral. Foi espetacular, sim, mas aquela simples história contada com tanta sensibilidade. E aí, então, vem a técnica, planos lindos, movimentos de câmera precisos, diálogos sem mimi e a atuação que não canso de repetir que foi excelente.

Não sei como é o processo criativo de vocês – seja para criar qualquer coisa – e nem como foi o do diretor, mas estou cada vez mais convencida de que as melhores obras são aquelas que a gente percebe a mão de quem a fez. O filme não é só um filme. Ele foi feito por alguém que realmente acreditava naquilo. E sabemos disso porque percebemos que tem algo além daquela história e daqueles enquadramentos e diálogos. Percebemos que é parte de alguém.

Muitos podem dizer que isso é subjetivo e que cada um faz uma relação com o que cria/consome. Pode ser que algo que me toque não vá tocar você, isso é totalmente verdade. Mas a partir daí, então, teríamos que falar sobre intensidades de… intensidades. Eles Voltam, para mim, está no topo da lista dos filmes mais intensos, levando em conta tudo que eu falei aí, que assisti nesse ano. E eu espero, sinceramente, – só pra não perder a piada – que eles voltem.

Fonte: Diário de Pernambuco

A Invocação do Mal e a automatonofobia

Semana passada fui assistir A Invocação do Mal no cinema. Tava todo mundo comentando sobre ele, então não resisti. Fora que eu e a Lívia, minha irmã, temos um ritual de assistir filmes de terror de vez em quando. As vezes a gente xinga no final, fala mal, eles são todos iguais, a gente já sabe quem vai morrer, etc… Mas é bom, a gente acha emocionante e o medo que a gente sente é real, hahaha!

A Invocação do Mal está em primeiro lugar na lista das 5 maiores bilheterias no fim de semana aqui no Brasil (fonte: Filme B). E faz totalmente sentido, né? Fizeram super propagandas antes do lançamento e o filme é legal, mesmo com todos os clichês. Inclusive, queria agradecer ao funcionário do cinema do Alameda que fez uma aparição sinistra durante a exibição e, talvez, tenha se tornado um dos pontos altos do filme, hahaha! Altas emoções! Minha mãe que o diga.

Contextualizando pra quem não assistiu, o filme se passa na década de 70 e conta a história de uma família (pai, mãe e 5 filhas) que compra uma casa antiga num lugar ermo na cidade de Harrisville, nos Eua. Pra variar, a casa tem um porão aterrorizante e coisas estranhas começam a acontecer depois que eles se mudam pra lá. Pra ajudá-los com esse probleminha, a família pede ajuda a um famoso casal investisgador de paranormalidades, Ed e Lorraine Warren.

O casal de fato existiu e Lorraine ainda está viva. Eles se autodenominavam demonólogos e investigaram casos famosos como o de Amityville e o da boneca Annabelle, assunto principal deste post, hoho. Não sei porque eu nunca havia pensado nisso, mas a fobia de bonecos existe e se chama automatonofobia :O Estou falando isso porque A Invocação do Mal começa com o casal Warren contando a universitários sobre o caso da boneca Annabelle, que foi o que mais me chamou atenção no filme inteiro, haha.

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Lorraine Warren com a verdadeira Annabelle.

Eu não vou contar a história da boneca aqui porque o post vai ficar gigantesco, mas indico esse site pra quem ficou curioso, haha. Tem inclusive um video legendado em português contando tudo. A medida em que fui descobrindo coisas sobre Annabelle, me deparei com trocentos casos de bonecos mal-assombrados. Sério, muitos e muitos casos. Alguns totalmente fakes outros que deixam a gente pensativos, hahaha. Pra quem gosta do assunto, recomendo procurarem os casos dos bonecos Harold e Robert (que inspirou os filmes do Chucky!).

Mas enfim, se os casos são verdadeiros ou não, não sei – e nem quero saber – , mas isso tudo me levou a ficar pensando o por quê desse medo todo. WTF, gente? Quando somos crianças, isso nem é um problema, a gente adora bonequinhos e bonequinhas. De onde vem essa fixação? Algum analista de plantão pra ajudar? haha

Sim, esse post foi apenas um blá blá pra no final fazer essa pergunta que me inquieta muito! E vocês, o que acham disso tudo?

Filme da vez: Tampopo – Os Brutos Também Comem

Eu adoro filmes japoneses. Acho que até hoje não me decepcionei com nenhum. Mas neste domingo assisti um que talvez seja um dos mais diferentes que eu já vi.

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Tampopo – Os Brutos Também Comem é uma (talvez podemos chamar de) comédia de 1985 dirigida por Jûzô Itami. Ele foi chamado de o primeiro “Ramen Western”, uma jogada palavras e de marketing que faz referência aos filmes do spaghetti western (uma espécie de western europeu que esteve na moda nas décadas de 60 e 70). Ramen – que encontramos no supermercado como lamen – é um tipo de noodle/miojo de origem chinesa, mas que se come muito no Japão também, daí a jogadinha com as palavras.

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O fio condutor da história é a relação entre um caminhoneiro, Goro, e seu copiloto e Tampopo, a dona de um restaurante de ramen. Um belo dia, os dois homens param em seu restaurante e acabam se envolvendo em uma briga com homens que estavam comendo, numa típica situação de confronto dos saloons. Tudo começou porque um dos caras estava insultando Tampopo dizendo que seu ramen era horrível e isso foi suficiente para incitar a ira de Goro.

Mais tarde, Goro confessa que o ramen de Tampopo realmente não estava lá grandes coisas e ela, então, pede para que ele seja seu professor de culinária. A história começa a desenrolar quando eles saem em busca da receita perfeita, numa sucessão de situações muito divertidas.

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Como eu disse, essa é a linha condutora do filme. Porém, a busca de Tampopo e Goro é entrecortada por várias esquetes onde são mostradas as diversas relações que as pessoas podem estabelecer com a comida. Acreditem, tem de tudo. Comida como fetiche, remédio, ritual… Enfim, o filme é uma verdadeira obra dedicada aos prazeres gastronômicos e impossível assistir sem ficar com fome, hahaha!

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Não podemos esquecer que é um filme japonês (sem querer julgar, mas já julgando), então é certo que vamos encontrar uma pitada de exagero em algumas situações. Mas isso tudo é compensado pela belíssima direção de Jûzô, que tratou de fazer planos lindos das comidas, além de conseguir passar das esquetes para a história central de uma forma tão suave que a gente nem percebe.

Podem confiar, se vocês estão sem ideia de filme pra assistir essa é uma ótima opção. O ranking do Filmow não me deixa enganar, haha! Mas não se esqueçam de levar alguma coisa pra comer, senão vocês vão sofrer!

Ah, todas as fotos acima são frames do filme. E aqui vai a foto de um ramen tradicional japonês, pra quem não conhece ;)

Au revoir!

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*Ops, esqueci de colocar o trailer!