Filmes da semana #11

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Halloween (John Carpenter, 1978)

Na semana do Halloween, decidi assistir com minha irmã esse super clássico do terror. Eu já conhecia a fama e já conhecia até o personagem, que usa aquela máscara medonha branca, mas não sabia nada sobre a história do filme.

Michael Meyers é um psicopata que fugiu da instituição em que estava internado. Ele roubou um carro e foi para a cidade onde morava quando criança. Há 15 anos, ele havia matado sua própria irmã e resolveu voltar ao lugar para retomar seu terrorismo, exatamente no dia 31 de outubro.

É um filme de terror da década de 70, então tem todos aqueles clichês e estética que os filmes da época tinham. Carpenter foi muito bem sucedido em criar aquele clima de suspense perfeito que nos faz levar susto no final ou então que nos deixa com raiva das personagens porque como elas podem ser tão estúpidas e fazer exatamente aquilo que vai levá-las em direção a morte, hahaha.

Recomendo demais tanto para quem gosta e quem não gosta de filmes de terror.. É um clássico e é bem light. Não nem nada de tão horrível ou nojento nele, podem confiar.

 *

 Scoop (Woody Allen, 2006)

O que pode dar errado quando se escolhe assistir qualquer filme do Woody Allen? Até hoje, comigo, nada. Scoop fez algumas horas de um final de semana passado mais divertidas e eu fico cada vez mais impressionada com a capacidade de escrever bons diálogos que o Woody Allen tem.

Sondra, uma estudante de jornalismo, acaba descobrindo um furo de reportagem sobre a morte recente de um jornalista que poderia mudar sua carreira. Como ela descobriu? Ela estava participando de um truque em um show de mágica quando o próprio fantasma do jornalista apareceu e conversou com ela.

Além de todo o bom humor, o que mais me fez gostar do filme foi como ele conseguiu misturar as situações fantásticas e paranormais com todo o resto. E o filme não é sobre fantasmas nem nada do tipo, é sobre o tal furo de reportagem. Mas todos os elementos ficam muito bem balanceados e minha atenção sobre a história não foi desviada por causa do acontecimento de algo surreal. Imagino que não seja nada fácil escrever um filme assim.

 *

 A Bela Junie (La Belle Personne, Christophe Honoré, 2008)

Digamos que se você gosta de filmes francês ou do Louis Garrel ou da Léa Seydoux, esse filme é quase uma obrigação.

Uma garota nova chega na escola. Todos querem sair com ela, mas ela escolhe o mais tímido de todos. Além disso, acaba se envolvendo com um professor. Essa história não é novidade. Existem vários filmes com a temática parecida e minhas palavras não fazem jus ao que é o filme de fato.

Foi interessante porque depois de assistir Palo Alto, eu acabei lembrando de La Belle Personne. Acho que são bem parecidos, se passam no mesmo ambiente, rodeiam os mesmos assuntos que envolvem a adolescência, os problemas amorosos, o relacionamento com um professor, mas, claro, de jeitos muito diferentes.

La Belle Personne tem aquele quê de filme francês, meio silencioso, meio poesia, revela informações pouco a pouco e oferece uma grande abertura de sentido. Bonito demais e gostoso de assistir.

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Esses foram alguns dos filmes legais que assisti nas últimas semanas. E vocês, o que tem visto de bom?

Bom final de semana, gente!

Picnic at Hanging Rock

No dia 14 de fevereiro de 1990, sábado de dia dos namorados, um grupo de alunas da Appleyard College foi fazer um piquenique aos pés de uma pedra chamada Hanging Rock, no estado de Victoria, na Austrália.

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Durante o passeio, três alunas e uma professora desapareceram misteriosamente sem deixar rastros.

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Sim, enigmático assim mesmo. Uma atmosfera delicada e sinistra ao mesmo tempo. Mistura de imagens bonitas, tons pasteis, momentos da adolescência e mistério.

O filme foi dirigido por Peter Weir e é de 1975.

Não vou contar mais nada, mas aqui vai o trailer, pra vocês sentirem um pouco o clima.

Filmes da semana #8

Computer Chess (Andrew Bujalski, 2013)

EUA, anos 80. Um grupo de pessoas – todos homens com a presença de apenas uma mulher – se reúnem em um hotel na Califórnia para o Torneio anual de xadrez de computadores (minha tradução). Homens, gênios da computação, jovens nerds, passam dias juntos, colocando seus computadores para jogar.

O plot é basicamente esse, mas, vou contar pra vocês, esse filme está entre os mais legais que assisti nesse ano. A começar pela história em si, que pra mim foi novidade. Esses torneios realmente aconteciam na década de 80 e são bem interessantes. Tem vários vídeos no youtube dos caras super concentrados com seus computadores gigantes. Momentos de tensão total!

Além disso, se vocês assistiram ao trailer puderam ver, esteticamente o filme é muito bem produzido. Ele é em preto e branco, a imagem meio granulada, meio acinzentada, bem cara de VHS. E toda a direção de arte, ambientação, caracterização dos personagens, tudo muito bem construído. É bem convincente, bem realista nesse sentido. Fiquei bem impressionada.

Não conheço o diretor, então não sei falar sobre ele, mas a construção da narrativa em si é também muito interessante. O filme tem uma pegada de documentário. O torneio está sendo transmitido pela TV, então tem um apresentador, entrevistas, elementos que nos dão a sensação de um doc. Por outro lado, tem cenas que os personagens fumam maconha e conversam coisas que parecem aleatórias, de forma tão natural, que me deixou na dúvida se aquilo estava previsto no roteiro. Foi uma impressão que tive, mas o cara é bom demais e provavelmente estava previsto.

De qualquer forma, além de toda a situação do torneio, como eles estão em um hotel, existem outras atividades acontecendo lá e outras pessoas hospedadas. Uma dessas atividades é um grupo religioso, meio místico, que fazem tive umas sessões de descarrego. Um dos personagens acaba se envolvendo com eles. Outro menino bem jovem também se encontra com um casal com intenções de fazer um swing. Enfim, esse lado do filme rende umas situações bem estranhas, meio surreais em comparação com o restante da história. Mas os caras não se distraem do torneio, não se “desvirtuam”, essas situações não acontecem simultaneamente. São pitadas de surrealismo sem muita explicação inseridos no meio da coisa toda.

Enfim, é um filme muito bem produzido, divertido, um pouco surreal em alguns aspectos. Tudo que eu aprecio em conjunto!

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O Abrigo (Take Shelter, Jeff Nichols, 2011)

Curtis e Samantha são casados, moram em Ohio e tem uma filhinha, Hannah. A menina perdeu a audição e os dois trabalham duro e começam a juntar dinheiro depois de saberem da possibilidade de uma cirurgia para a filha. Entretanto, no meio desse drama, Curtis começa a ficar obsessivo com uma tempestade que ele acredita que está por vir e que destruirá toda a cidade. Então, ele começa a ampliar o abrigo subterrâneo que já havia no quintal com o objetivo de construir uma “fortaleza” que possa proteger sua família da tempestade.

A princípio a sinopse me chamou muito atenção. Um homem atormentado por visões apocalípticas rende uma história excelente. De fato, o filme é muito bom nesse quesito. A forma como as visões afetam a vida de Curtis e como eles transformaram esses aspectos psicológicos em imagens me pareceram muito bem materializados. Os efeitos especiais, inclusive, são muito bons!

Apesar dessas coisas legais, tem algo que me incomodou bastante. Achei o filme meio machista. Não vou saber descrever as cenas com detalhes agora, mas de forma geral, achei que a personagem da mulher foi construída bem como “mulherzinha” mesmo. Ela praticamente aceita tudo que ele faz. Curtis fica completamente fora de si e ela permanece bem passiva, sem tomar a frente de nenhum problema. Mesmo quando eles brigam, ela não toma atitudes mais drásticas.

Acho que existe uma diferença entre você conviver com alguém que está alterado, se sentir inseguro quanto a isso e não saber como agir e você ter medo, não compreender o que está acontecendo, mas continuar “respeitando” o outro porque ele é seu marido. Enfim, foi o que eu senti nesse filme e por isso não gostei completamente.

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As 200 crianças do Dr. Korczak (Korczak, Andrzej Wajda, 1990)

O filme é baseado em fatos reais e conta uma parte da história de Janusz Korczak, um pediatra e pedagogo que cuidava de um orfanato para crianças judias em Varsórvia, na Polônia. Com a ocupação nazista, eles foram obrigados a sair dali e ir para o Gueto de Varsóvia.

É um filme bem tocante, não só por conta da guerra, que já é horrível por si só, mas por causa da dedicação e do amor que Korczak tinha com as crianças e vice-versa. Pensando que foram acontecimentos reais, é realmente impressionante o que o pedagogo fez. No Gueto, Korczak continuou desenvolvendo as atividades do orfanato como pode, tentando ensiná-los sobre a morte através de peças de teatro, continuando com as canções que cantavam antes, tentando prolongar a vida das crianças ao máximo e fazendo com que a existência deles fosse menos dolorosa.

Não sei muito sobre a vida dele, mas pretendo pesquisar. Parece que ele desenvolvia métodos educativos diferentes e experimentais no orfanato, mas não sei detalhes sobre isso. Li que o destino de Korczak e das crianças ainda é meio controverso. Dizem que morreram todos numa câmera de gás, mas há também outra história que diz que o comboio do trem em que estavam se soltou e todos conseguiram fugir.

***

Se você está em dúvidas sobre o que assistir nesse fim de semana, estão aí minhas dicas!

E vocês, o que tem assistido de bom?

Bom fds, gente!

Filmes da Semana #2

The curse of the cat people (A maldição do sangue da pantera, Gunther von Fritsch e Robert Wise, 1944)
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Talvez o filme mais estranho que vi nos últimos tempos por um único motivo: não tem maldição, não tem sangue, não tem pantera, não tem gato nenhum no filme. Depois que vi fiquei totalmente perdida porque não estava entendo o título! Eu assisti num domingo de manhã, estava totalmente descansada, não cochilei…

Enfim, depois de muito tempo fui pesquisar e vi que na verdade era a sequência do filme Cat People, de 1942, também dirigido pelo Robert Wise. Mas acontece que um não tem nada a ver com o outro. Apenas uma personagem está presente nos dois, mas realmente eles não tem uma conexão.

Problemas com o título à parte, o filme conta a história de Amy Reed, uma menina solitária que tem problemas em fazer amigos e acaba arrumando uma amiga imaginária. Não vou dar spoilers, mas posso dizer que é um filme interessante pra pensar na relação das crianças com a imaginação.

Não sou super fã dos filmes norte-americanos da década de 40 e não fiquei super empolgada com ele. Mas eu diria que se você gosta de filmes em que crianças são personagens principais, acho que vai curtir esse. Só não vá esperando grandes emoções!

 

The Bling Ring (Sofia Coppola, 2013)

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Provavelmente muitos de vocês já viram esse filme. Eu diria que eu gostei, é um filme ok, um bom entretenimento, digamos.

Na realidade fiquei mais impressionada com a história real dos jovens que assaltavam as mansões em Hollywood. Depois que o filme terminou, fui procurar informações sobre o caso e fiquei bem chocada com as entrevistas com a “líder” do grupo, Alexis Neiers (que no filme é interpretada pela Emma Watson que, no filme, não é a líder. Não entendi essa adaptação) e seu estilo de vida.

Longe de querer fazer definições de “como é essa geração”, mas acho que a futilidade, o consumismo e os desejos vazios mostrados no filme são comportamentos muito recorrentes hoje em dia. Só que elevados a outros níveis, claro.

Ah, e ao contrário do que ouvi, não gostei da Emma Watson no filme, gente, haha! Sei lá, achei que o sotaque não teva nada a ver com ela. Perdeu a naturalidade. Alguém mais concorda?

 

A mão que balança o berço (The hand that rocks the cradle, Curtis Hanson, 1992)

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Bom, só coloquei esse filme aqui pra falar com vocês: muito ruim. Sem dúvida esse é o filme mais absurdo, mais tragicamente cômico que eu vi nos útlimos tempos. E uma perda de tempo.

Sente o drama da história: Um ginecologista abusa de Claire, que está grávida. Claire o denuncia. O homem fica doido e se mata. Por causa disso, a mulher do médico, Peyton, tem um ataque e perde o bebê que estava esperando. Resultado: Peyton se passa por babá e vai trabalhar na casa de Claire pra vingar a morte do marido e do bebê. Ela na verdade vira uma porra-louca que quer roubar a família da outra.

Por que não assistir? Primeiro motivo: é MUITO óbvio. Pior do que novela. Até pelo cartaz já dá pra adivinhar a história. Os personagens são muito estereotipados. Peyton é muito má e Claire muito idiota. Michael, marido de Claire, é outro bobo. Enfim, é cansativo, monótono e totalmente irreal.

Segundo e principal motivo: é um filme extremamente machista que mostra quais as preocupações e quais as atribuições de uma mulher na família: ter um bebê, cuidar do marido e da casa. No final, a briga de Peyton e Claire é apenas uma disputa pra ver quem é a fêmea alpha da casa.

O fato de Claire ter sido abusada é totalmente deixado de lado e, na verdade, o filme deixa claro que a vingança de Peyton foi uma punição por ela ter denunciado o médico. Claire, obviamente, não deveria ter feito isso. Enfim, durante o filme tem vários outros diálogos e acontecimentos machistas de alto nível. O interessante é que o roteiro foi escrito por uma mulher.

—–

E aí, já assistiram algum desses? E o que andam vendo ultimamente?

Adoro indicações de filmes, gente. Deixem aí nos comentários! : )

Até a próxima!

Filmes da Semana #1

No mês passado eu e Dudu fizemos um cineclube particular e fizemos uma lista de 10 filmes. Há algum tempo atrás a gente tinha um, digamos, projeto de assistir um filme por dia, mas claro, por vários motivos, não conseguimos prosseguir. Tivemos a ideia de retomar isso agora na medida do possível.

E o resultado foi que, de fato, consegui ver muitos filmes \o/ Mas por conta dos estudos e da volta ao trabalho não consegui escrever sobre nenhum aqui no blog (eu demoro muito pra escrever, gente, vocês não tem ideia!) Como não quero deixar passar esse momento e gosto sempre de deixar dicas de filmes por aqui, vou separar aqueles que não vou fazer resenha e condensá-los nos posts chamados Filmes da Semana (embora, agora, não necessariamente dessa semana).

Ninfomaníaca Vol. I (Lars von Trier, 2013) – Trailer

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Hm, nhé. Não sei se foi toda a superestimação (isso é uma palavra?), todo o marketing antes do lançamento, mas não me convenceu não. Sendo totalmente sincera, achei o filme super enrolation e super vazio. Como disse pra um amigo, acho que o Lars von Trier deve estar precisando mesmo de dinheiro pra fazer mais de um filme. Super bem produzido, atores fodas e etc, mas não me pegou.

“Ah, mas é isso mesmo que ele quer, incomodar o público”. Pois é, mas não me incomodou. Pra mim não é nenhum problema quando não gosto de um filme ou quando ele me incomoda, mas sim quando fico indiferente, que foi o que aconteceu.

A Vida Marinha com Steve Zissou (Wes Anderson, 2004) – Trailer

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Bom, sou suspeita pra comentar. Quem acompanha o blog sabe que sou super fã do Wes Anderson e eu totalmente assistiria um filme só porque ele foi o diretor.

Enfim, é lindo, cores lindas, engraçado, história original. Bill Murray faz o papel de Steve Zissou, que junto com sua tripulação resolve ir a caça da misteriosa criatura Jaguar Shark, a qual ele acredita ter matado seu parceiro. Agora imagine um filme de aventura, uma expedição selvagem feita por Wes Anderson. Só pode dar certo! Uma boa pedida se você quer assistir um filme leve e divertido sem ser bobo.

Solaris (Andrei Tarkovsky, 1972) – Trailer

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Você gosta de ficção científica? Então pelamordedeus vai assistir esse filme! Eu realmente não sei se consigo comentá-lo. É inteligente, tenso, pesado, senti medo… Enfim, não vou conseguir escrever sobre ele assim tão rápido.

Ele é a prova de que um bom filme, mas, principalmente, uma boa ficção científica não precisa de toda a tecnologia que a gente tem hoje.

Filmefobia (Kiko Goifman, 2008) – Trailer

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Se você é daquelas pessoas que ficam aflitas facilmente com certos tipos de cena, provavelmente vai gostar desse filme, ou não. Ele mostra na verdade o making-of de um filme sobre fóbicos sendo confrontados com sua fobia.

Apesar de ter achado os diálogos bem forçados, achei a ideia do filme interessante. E ainda tem Jean-Claude Bernardet no elenco, que faz o papel do diretor do filme. Eu fiquei aqui pensando se o tema do filme e o fato de chamar Bernardet pra atuar não teriam alguma coisa a ver com ele estar perdendo a visão e isso estar se tornando, talvez, um tipo de fobia… a de não poder ver mais filmes. Enfim, viajei, haha.

Esses foram os filmes das semanas que passaram, gente. E vocês, o andam assistindo? : )

Ah, eu sempre marco tudo que assisto no Filmow! Se vocês também tem, me adicionem lá!

A ciência dos sonhos nos filmes!

Se tem um tema que eu gosto em filmes é o sonho. Não no sentido de um personagem que vai perseguir um sonho, vai tentar torná-lo realidade. Mas no sentido da atmosfera estranha e misteriosa que tem o sonho.

Eu acho algo super complexo pra reproduzir, então tiro o chapéu pra quem consegue. Acho que o David Lynch é um dos campeões nisso. Se vocês já viram Twin Peaks, sabem do que eu estou falando. Se não… esperem porque não acredito que não falei até hoje dessa série aqui! Eu acho o David Lynch bom, na verdade, porque as vezes até sem a intenção de ser um sonho, ele cria umas cenas tão estranhas que acaba se parecendo com um, haha!

Essa semana o Dudu me mostrou esse link onde fizeram uma lista das 10 melhores sequencias de sonho em filmes silenciosos. É bem legal, uma pena que nem todos tenham videos. Enfim, como se trata do início do cinema, por mais que sejam divertidas, elas acabam se tornando… divertidas, haha. Pelo menos pra mim… Tenho a tendência a ficar pensando em como eles fizeram aquilo, etc.

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E daí, que por causa dessa lista, acabamos assistindo um filme SUPER legal, indicação de alguém que não lembro – obrigada, você! – chamado La Science des Rêves (título feio em português: Sonhando Acordado, tradução literal bem mais legal: A Ciência dos Sonhos). Ele é de 2005 e foi dirigido pelo Michel Gondry (Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Rebobine, Por Favor).

Infelizmente não achei nenhum trailer legendado e o filme é em francês/inglês. Mas posso contar rapidinho do que se trata: desde pequeno, Stephane (Gael García \o/) confunde os sonhos com a realidade. Isso acaba trazendo um monte de problemas, principalmente quando ele começa a gostar da vizinha nova (Charlotte Gainsbourg \o/) e tem que lidar com essa situação.

A história é super legal e, de certa forma, um pouco triste porque ele acaba se tornando uma pessoa problemática. Mas o que eu mais gostei foi a concepção de sonho que eles criaram. Eles conseguiram captar a essência de algumas coisas que acontecem tipo não conseguir andar, aquela sensação de estar caindo/voando. Me identifiquei, haha!

Esses são alguns trechos:

Não sei vocês, mas eu achei genial. A mistura de cores, os materiais que eles usaram, as músicas. A cena dele com as mãos gigantescas é muito boa, não sei como não pensaram antes! Quer dizer, acho que justamente porque não pensaram é que achei o filme muito bom, divertido e um prato cheio pra quem gosta da direção de arte.

Mas voltando ao assunto, acho que criar a atmosfera de um sonho, pra mim, é o mais desafiador em um filme. As pessoas discutem entre fazer comédia ou drama. Não, gente, fazer um sonho é o mais difícil, haha!

Antes desse filme, eu sempre pensava na criação d0 sonho como uma coisa estranha e sombria. Mas acho que mudei minha concepção. Pode ser estranha e também engraçada e colorida, por que não?

O que vocês acham disso tudo? Se tiverem indicação de filmes com esse tema, escreve aqui!

Au revoir!

Eles Voltam: o melhor filme de todos os tempos da última semana

“É um filme sobre gente, sobre momentos e sobre pequenos encontros que todas as pessoas passam. Sugiro que prestem mais atenção a esses momentos”, essas são as palavras de Marcelo Lordello, o diretor do longa Eles Voltam. Parece uma mensagem um tanto simples e generalista. Mais simples ainda é a história que o filme conta: Cris e seu irmão Peu são deixados na beira da estrada por seus pais como forma de castigo. Eles tem duas opções, ficar ali esperando ou arrumar uma maneira de voltar para casa.

Toda essa simplicidade foi muitíssimo bem trabalhada por Marcelo, que fez um dos filmes mais bonitos que vi nos últimos tempos. Ele passou no Primeiro Plano (falei um pouco do festival no último post!) e fiquei feliz de ter assistido. Mas vai estrear em circuito comercial \o/ Na verdade, eu já tinha ouvido falar do filme porque ele ganhou muitos prêmios. Ganhou melhor longa de ficção, melhor atriz e melhor atriz coadjuvante no Festival de Brasília.

Prêmios merecidíssimos. Estou boquiaberta até agora com a atuação. Malu – a protagonista – era filha de alguém que o diretor conhecia e foi assim que se encontraram. Ela tinha doze anos quando topou fazer o filme. Quero dicas da direção de atores, gente, haha. E isso não só por conta da protagonista. Pelo que li rapidamente nos créditos, parece que eles também gravaram num assentamento do MST e certamente aquelas pessoas também não era atores profissionais e é impressionante a naturalidade e a realidade que eles conseguiram passar no filme.

Eles Voltam é de Pernambuco, lugar de onde tem saído alguns destaques do cinema nacional atualmente, como Kleber Mendonça, do premiadíssimo O Som ao Redor, e os meninos do Alumbramento, do Estrada para Ythaca. O que mais me chama atenção é que o filme foi feitos com poucos recursos – a ideia inicial era que fosse um curta-metragem – mas isso não fica aparente de jeito nenhum.

Isso, para mim, afasta e reforça duas ideias ao mesmo tempo. A primeira é que é uma besteira isso de que agora como todo mundo tem câmera, todo mundo filma e fotografa o tempo todo, perdeu-se a qualidade porque afinal ninguém pensa mais antes de apertar o botão, etc. A segunda é que um bom equipamento e técnica podem ajudar a fazer o filme ficar melhor, mas não é determinante de um bom filme. Esse ano no festival vi curtas de estudantes das melhores faculdades de cinema do Brasil, com a técnica impecável e atores Globais, mas que no final a gente falava: nhé.

Porque o que importa é mais do que uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Marcelo Lordello teve um olhar, uma sensibilidade e disse algo as pessoas – pelo menos para maioria das que eu conversei sobre o filme. Não era nada espetacular, extraordinário, com uma super lição de moral. Foi espetacular, sim, mas aquela simples história contada com tanta sensibilidade. E aí, então, vem a técnica, planos lindos, movimentos de câmera precisos, diálogos sem mimi e a atuação que não canso de repetir que foi excelente.

Não sei como é o processo criativo de vocês – seja para criar qualquer coisa – e nem como foi o do diretor, mas estou cada vez mais convencida de que as melhores obras são aquelas que a gente percebe a mão de quem a fez. O filme não é só um filme. Ele foi feito por alguém que realmente acreditava naquilo. E sabemos disso porque percebemos que tem algo além daquela história e daqueles enquadramentos e diálogos. Percebemos que é parte de alguém.

Muitos podem dizer que isso é subjetivo e que cada um faz uma relação com o que cria/consome. Pode ser que algo que me toque não vá tocar você, isso é totalmente verdade. Mas a partir daí, então, teríamos que falar sobre intensidades de… intensidades. Eles Voltam, para mim, está no topo da lista dos filmes mais intensos, levando em conta tudo que eu falei aí, que assisti nesse ano. E eu espero, sinceramente, – só pra não perder a piada – que eles voltem.

Fonte: Diário de Pernambuco

5 filmes para assistir numa segunda-feira chuvosa

Amigos e amigas, amanhã estarei partindo para Curitiba! Yay! Estou indo para apresentar um trabalho e, CLARO, para conhecer essa cidade tão bem falada. Se você mora lá ou se já visitou, vou amar se me der algumas dicas de lugares para ir ;)

A questão é que o dia voou e tive mil coisas para fazer. Na realidade, ainda nem terminei a mala. Mas hoje aqui em JF o clima está pra ficar debaixo das cobertas assistindo filme. Tá frio e chovendo fininho, aquela chuva chata, sabe?

Se eu pudesse teria passado a tarde no sofá, mas como não pude, resolvi deixar aqui uma listinha dos filmes que eu escolheria para assistir num dia chatinho como esse.

1 – Donnie Darko (Richard Kelly, 2001)

Super combo: Jake Gyllenhaal + teorias sobre viagem no tempo + trilha sonora EXCELENTE. Essa seria minha primeira escolha. Donnie Darko é daqueles filmes sombrios e enigmáticos. Assim que terminei de assistir pela primeira vez fiquei tipo: ????? meudeus o que acabei de ver, volta tudo. E sim, no dia seguinte quis assistir de novo porque não dá pra ver uma vez só.
Não vou contar nada. Saca o trailer:

2 – O Bebê de Rosemary (Roman Polanski, 1968)

Bom, acho que vou sempre conseguir enfiar esse filme em qualquer lista que eu fizer, haha! É um dos meus favoritos do Polanski e perfeito se você está com vontade de sentir medo! Começa com aquela velha história de um casal que se muda para uma casa nova. Então, coisas estranhas começam a acontecer… Um clássico e ainda tem Mia Farrow gatinha.

3 – Dirigindo no Escuro (Woody Allen, 2002)

Mas você não quer sentir medo, nem ficar confuso, apenas relaxar e se divertir, então recomendo um Woody Allen. (Quase) certeza de dar certo, né? Dirigindo no Escuro (Hollywood ending, em inglês) é sobre um diretor de cinema que de repente fica cego no meio da gravação do filme.

4 – Pierrot le fou (Jean-Luc Godard, 1965)

Se você quer esquecer que está chovendo, Pierrot le fou é ótimo. Mais da metade do filme se passa na praia, com Anna Karina dançando saltitante de vestidinho por lá (já falei um pouco sobre ele aqui). Mas é Godard, né? Não vá esperando Woody Allen. Não vou falar do filme porque, além de mandar bem no próprio filme, Godard mandava bem nos trailers também s2:

5 – Corações e Mentes (Peter Davis, 1974)

Esse é considerado um dos documentários políticos mais importantes da história do cinema. É um filme sobre a guerra do Vietnã, que ganhou o Oscar de Melhor documentário em 75. É pesado, hein, gente. Não é filme pra relaxar, é pra chorar.

Por algum motivo obscuro, não consegui encontrar nenhum trailer : O Mas deixo aqui um canal que disponibilizou o filme todo!

Bom, meu povo, espero que tenham gostado das dicas. Não sei se volto a postar aqui até o fim de semana.

Me desejem boa viagem \o/ Até a próxima!

Scorcese: filmes de horror e The Big Shave

Essa semana alguém me enviou ou encontrei por aí este link do The Daily Beast no qual Martin Scorcese listou os 11 filmes mais assustadores de todos os tempos para ele. Foi divulgado no dia 31, por isso o tema.

Isso me interessou de cara porque 1) adoro listas e 2) adoro listas feitas pelas pessoas que eu gosto \o/ Porém, a matéria me fez pensar que já faz um bom tempo que não indico um curta por aqui.

Masss, antes disso, vou comentar rapidinho a lista. Não vou reproduzir tudo aqui, postar os trailers de novo, porque está tudo lá no site. Mas fiquei chateada porque de todos os 11, assisti apenas 3: O Iluminado, O Exorcista e Psicose. Haha, poxa, gosto muito de filmes de terror, mas com essa lista fiquei pensando que na verdade vi muito pouco e, pra ser bem sincera, a maioria foi bem ruim, haha.

Pra mim não tem muito meio termo com filmes de terror ou são bons mesmo, ou são mal-feitos, patéticos e engraçados. Enfim, não sei nem avaliar essa lista, haha. Alguém aí já viu algum dos outros filmes?

Para terminar, deixo vocês com um dos primeiros curtas de Scorcese, que ele fez enquanto ainda cursava Cinema nos EUA. The Big Shave foi feito em 1968 e gostei muito dele porque é relativamente simples: uma locação, um ator, uma ação e uma boa ideia. O curta tem uma atmosfera bem estranha e me deixou muito aflita, haha! Dizem por aí que é uma crítica de Scorcese aos EUA na época da guerra do Vietnã, mas nada está comprovado. Tem 6 minutos, gente, vale a pena ver!

Se você não conhece, esse aí é o Martin Scorcese baby, todo estiloso. A foto deve ser mais ou menos dessa época em que ele produzia curtas. Hoje ele já é um vovô, ainda estiloso, de 70 anos e com muitos filmes bons nas costas!

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(Sou meio obcecada por encontrar assistir os primeiros curtas dos diretores que eu gosto, haha. Em breve posto mais!)

Curta da vez: O Coro

Eu queria evitar ficar falando  só sobre cinema aqui e procurar outras coisas são interessantes, mas pra mim é bem difícil!

Com a possibilidade de organizar uma mostra pra crianças e jovens no próximo semestre, tenho assistido a muitos curtas. Um desafio tem sido procurar aqueles que não tem fala ou que são dublados, porque fica difícil pras crianças acompanhar a legenda, né? (Se você conhece algum, vou adorar sua indicação! hehe)

Ontem descobri esse curta chamado O Coro e dirigido pelo iraniano Abbas Kiarostami. Bom, pra quem é da área de cinema e comunicação ou os cinéfilos escutam bastante o nome de Kiarostami. Eu, particularmente, tinha muita dificuldade em assistir seus filmes. O primeiro que vi foi O Gosto de Cereja e odiei, haha! Vocês sabem, né, filme iraniano tem fama de serem lentos e darem sono… De fato, são mais lentos! Mas isso acontece porque a narrativa do filme, as ações dos personagens e, principalmente, o tempo é trabalhado de forma diferente. Basta que a gente tenha disposição para assistir a um filme que é diferente do que estamos acostumados. Masss, eu estou falando (do pouco que sei) sobre o Kiarostami. Não conheço o cinema iraniano de forma geral.

Esse é o Kiarostami, pra você que nunca viu.

O Coro é de 1982, do início de sua carreia como diretor. Fiquei surpresa com a quantidade de curtas que ele fez. A gente as vezes fica preso aos filmes mais famosos ou aqueles que chegam às salas do cinema…

Enfim, o curta é muito bom para ser exibido para crianças, mas, acima de tudo, é muito bom! Ele tem 15 minutos e está divido em duas partes no youtube.

 

E aí, o que vocês acharam? (:

Au revoir!

Carol