Filmes da semana #8

Computer Chess (Andrew Bujalski, 2013)

EUA, anos 80. Um grupo de pessoas – todos homens com a presença de apenas uma mulher – se reúnem em um hotel na Califórnia para o Torneio anual de xadrez de computadores (minha tradução). Homens, gênios da computação, jovens nerds, passam dias juntos, colocando seus computadores para jogar.

O plot é basicamente esse, mas, vou contar pra vocês, esse filme está entre os mais legais que assisti nesse ano. A começar pela história em si, que pra mim foi novidade. Esses torneios realmente aconteciam na década de 80 e são bem interessantes. Tem vários vídeos no youtube dos caras super concentrados com seus computadores gigantes. Momentos de tensão total!

Além disso, se vocês assistiram ao trailer puderam ver, esteticamente o filme é muito bem produzido. Ele é em preto e branco, a imagem meio granulada, meio acinzentada, bem cara de VHS. E toda a direção de arte, ambientação, caracterização dos personagens, tudo muito bem construído. É bem convincente, bem realista nesse sentido. Fiquei bem impressionada.

Não conheço o diretor, então não sei falar sobre ele, mas a construção da narrativa em si é também muito interessante. O filme tem uma pegada de documentário. O torneio está sendo transmitido pela TV, então tem um apresentador, entrevistas, elementos que nos dão a sensação de um doc. Por outro lado, tem cenas que os personagens fumam maconha e conversam coisas que parecem aleatórias, de forma tão natural, que me deixou na dúvida se aquilo estava previsto no roteiro. Foi uma impressão que tive, mas o cara é bom demais e provavelmente estava previsto.

De qualquer forma, além de toda a situação do torneio, como eles estão em um hotel, existem outras atividades acontecendo lá e outras pessoas hospedadas. Uma dessas atividades é um grupo religioso, meio místico, que fazem tive umas sessões de descarrego. Um dos personagens acaba se envolvendo com eles. Outro menino bem jovem também se encontra com um casal com intenções de fazer um swing. Enfim, esse lado do filme rende umas situações bem estranhas, meio surreais em comparação com o restante da história. Mas os caras não se distraem do torneio, não se “desvirtuam”, essas situações não acontecem simultaneamente. São pitadas de surrealismo sem muita explicação inseridos no meio da coisa toda.

Enfim, é um filme muito bem produzido, divertido, um pouco surreal em alguns aspectos. Tudo que eu aprecio em conjunto!

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O Abrigo (Take Shelter, Jeff Nichols, 2011)

Curtis e Samantha são casados, moram em Ohio e tem uma filhinha, Hannah. A menina perdeu a audição e os dois trabalham duro e começam a juntar dinheiro depois de saberem da possibilidade de uma cirurgia para a filha. Entretanto, no meio desse drama, Curtis começa a ficar obsessivo com uma tempestade que ele acredita que está por vir e que destruirá toda a cidade. Então, ele começa a ampliar o abrigo subterrâneo que já havia no quintal com o objetivo de construir uma “fortaleza” que possa proteger sua família da tempestade.

A princípio a sinopse me chamou muito atenção. Um homem atormentado por visões apocalípticas rende uma história excelente. De fato, o filme é muito bom nesse quesito. A forma como as visões afetam a vida de Curtis e como eles transformaram esses aspectos psicológicos em imagens me pareceram muito bem materializados. Os efeitos especiais, inclusive, são muito bons!

Apesar dessas coisas legais, tem algo que me incomodou bastante. Achei o filme meio machista. Não vou saber descrever as cenas com detalhes agora, mas de forma geral, achei que a personagem da mulher foi construída bem como “mulherzinha” mesmo. Ela praticamente aceita tudo que ele faz. Curtis fica completamente fora de si e ela permanece bem passiva, sem tomar a frente de nenhum problema. Mesmo quando eles brigam, ela não toma atitudes mais drásticas.

Acho que existe uma diferença entre você conviver com alguém que está alterado, se sentir inseguro quanto a isso e não saber como agir e você ter medo, não compreender o que está acontecendo, mas continuar “respeitando” o outro porque ele é seu marido. Enfim, foi o que eu senti nesse filme e por isso não gostei completamente.

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As 200 crianças do Dr. Korczak (Korczak, Andrzej Wajda, 1990)

O filme é baseado em fatos reais e conta uma parte da história de Janusz Korczak, um pediatra e pedagogo que cuidava de um orfanato para crianças judias em Varsórvia, na Polônia. Com a ocupação nazista, eles foram obrigados a sair dali e ir para o Gueto de Varsóvia.

É um filme bem tocante, não só por conta da guerra, que já é horrível por si só, mas por causa da dedicação e do amor que Korczak tinha com as crianças e vice-versa. Pensando que foram acontecimentos reais, é realmente impressionante o que o pedagogo fez. No Gueto, Korczak continuou desenvolvendo as atividades do orfanato como pode, tentando ensiná-los sobre a morte através de peças de teatro, continuando com as canções que cantavam antes, tentando prolongar a vida das crianças ao máximo e fazendo com que a existência deles fosse menos dolorosa.

Não sei muito sobre a vida dele, mas pretendo pesquisar. Parece que ele desenvolvia métodos educativos diferentes e experimentais no orfanato, mas não sei detalhes sobre isso. Li que o destino de Korczak e das crianças ainda é meio controverso. Dizem que morreram todos numa câmera de gás, mas há também outra história que diz que o comboio do trem em que estavam se soltou e todos conseguiram fugir.

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Se você está em dúvidas sobre o que assistir nesse fim de semana, estão aí minhas dicas!

E vocês, o que tem assistido de bom?

Bom fds, gente!