Sobre fazer aniversário e ter um blog

eu pequenaHoje vou sair da programação normal do blog porque… é meu aniversário! Yupi!

Eu já estava planejando fazer esse post há algum tempo e sinto que essa é a data certa. Percebo que muitas pessoas lidam com o aniversário pensando no futuro. Agora estão mais velhas, é mais um ano de vida, estão chegando perto dos 30 ou 40 ou qualquer idade que está por vir… Eu gosto do aniversário mas para pensar pra trás, para olhar o que aconteceu nos últimos tempos.

Há um atrás o blog tinha 2 meses e muita coisa mudou desde o início, tanto em mim quanto nele. O aniversário é meu, mas gostaria de falar sobre o blog, que fez parte da minha vida no último ano e que é uma das coisas que mais me deixam felizes hoje.

Sobre a liberdade de espaço, de tempo e de ideias

Eu sempre gostei de ler e isso me levou a gostar de escrever. Desde muito nova, aos 10 anos, eu já inventava minhas histórias e saía escrevendo tudo. Queria muito ser escritora e cheguei a escrever 13 capítulos de uma história! Tenho meus caderninhos caindo aos pedaços, muitos arquivos no computador e até um disquete que não funciona mais, todos eles guardados com esse pedaço da minha vida.

E daí que quando entrei pra faculdade – de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo – toda essa minha vontade de escrever simplesmente morreu. Escrever pra mim se tornou um martírio, uma coisa mecânica, um fórmula que eu deveria seguir. Não era mais prazer, era obrigação. Não tenho certeza, gente, teria que fazer análise pra descobrir o que aconteceu, haha, mas foi nessa ordem! Enfim, foi por causa disso que eu encontrei o cinema e me apaixonei tanto. Ele meio que preencheu um buraco que a faculdade tinha feito em mim. Não vou mentir, escrever academicamente falando ainda é um saco. E fui me meter em fazer um mestrado, então está sendo uma época bem difícil…

Agora, eu estou revivendo esse prazer de escrever com o blog. Aqui eu escrevo no meu tempo, do meu jeito, do tamanho que eu quero, com as palavras que eu quero. Eu escolho a frequência, os temas, as fotos, os vídeos. É meu espacinho, construído por mim. E isso não tem a ver com um discurso do tipo “só quero fazer o que eu quero, o que me dá prazer, não quero fazer nada por obrigação”. Não é isso.

É apenas um revival do sentimento que eu tinha aos 10 anos. De ter uma ideia, de ter vontade de escrever e simplesmente ir lá e fazer. Sem ninguém estar esperando algo de mim, sem eu ter que estar fazendo pra alguém. É somente eu comigo mesma e minhas ideias. E tem sido ótimo sentir isso de novo.

Sobre pessoas e conteúdos legais

Funny story (saudades, Barney), eu não lia muito blogs antes de ter um. Quando acessava era mais por causa de algum post compartilhado ou alguma pesquisa que me levou até ali, mas nunca fiz parte da “blogosfera” como leitora. A partir do dia que criei o meu blog, isso tudo mudou. Fiquei mais curiosa pra conhecer outros blogs, encontrar pessoas que escreviam sobre o que eu gostava também, enfim, quem tem um blog sabe como é essa relação, é meio que um círculo vicioso.

Mas também descobri com um susto que a blogosfera se tornou um grande mercadão, uma vitrine, propaganda bem menos custosa pras pequenas e grandes empresas. E isso, em alguns blogs, afeta diretamente o conteúdo. Aliás, quase não há conteúdo próprio nesse caso, apenas propaganda seguida de propaganda.

Então, fugi disso e saí por aí procurando gente com personalidade, que criava seu próprio conteúdo, que trazia ideias novas, boas informações e boas inspirações. E claro que foi bem fácil de encontrar! A listinha aqui do lado chamada “Eu acompanho” são bons exemplos disso.

Fiquei muito feliz de encontrar essas pessoas e esses blogs tão interessantes. Ao mesmo tempo fiquei muito surpresa com a receptividade com o meu blog. Afinal, falo de cinema, cartazes de filmes, um pouquinho sobre cabelo… não sou do mundo da moda, das make-ups, coisa que a gente sabe que é o que chama atenção. Como acabei de comentar, só escrevo aqui sobre o que me dá ganas, não tenho nenhuma pretensão de ser famosa.

E é muito bom saber que existem pessoas que realmente leem o que você escreve, que as vezes fazem comentários gigantescos e muito gostosos de ler, haha! Em alguns casos, essa relação ultrapassou o blog e acho que isso é o mais legal pra mim (meninas, eu vou ao Rio só pra conhecer vocês, juro!). <3

Sobre fazer vídeos para o blog

Não vou mentir, isso de começar a fazer vídeos é altamente influenciado por esse boom do youtube recentemente.

Tem certos assuntos que eu realmente preferia falar ou mostrar em vídeo e acho que com esse monte de vlogs por aí, a gente se sente mais corajoso pra fazer os nossos próprios. Eu trabalho com produção de vídeo, então tenho todo o equipamento necessário. Também sou bem acostumada com as câmeras, não tenho muitos problemas com isso, então, por que não?

De certa forma, também acho que é bom dar uma cara e uma voz pro blog. Não sei vocês, mas eu fico curiosa pra ver quem são as pessoas que escrevem. Acho que começar a fazer vídeos também tem a ver com isso, sabe, dizer “oi, gente, essa sou eu!”, haha. É bobo, mas verdade.

Mas não quero fazer só vídeos de mim, sentada, falando. Quero usar o espaço do youtube pra começar a postar coisas que eu crio, exercícios, aleatoriedades, colocar ideias em prática… Eu tenho muitos planos pra isso, mas infelizmente estou num momento conturbado da vida. Enfim, ainda tenho tempo!

 ***

Então, essas são as coisas que mais tenho pensado recentemente. Não sei se o blog tem o mesmo peso pra todos, acredito que não. Pra mim significa alguma coisa. Significa que nunca é tarde pra gente começar algo novo, pra reviver sentimentos, pra descobrir coisas novas na gente e nos outros.

Sendo assim, queria compartilhar esse dia que consideramos especial com vocês, que tem feito do último ano um ano muito bom pra mim. O blog ainda é bem pequenino, mas tem crescido bastante recentemente e isso me deixa bem feliz. Ele tem superado todas as minhas expectativas!

Obrigada por cada comentário, por cada conversa, por cada visita. Vocês não são um número pra mim, são parte do que blog é hoje!

<3

Especial de aniversário: alguns motivos para se gostar de Jean-Luc Godard

Eu estava esperando muito pelo dia de ontem e estava planejando fazer um post especial – na verdade, uma semana especial. Mas, só pra variar, não tive tempo, praticamente não fiquei em casa nas duas últimas semanas e ontem o wordpress estava dando uns paus e desisti de tentar postar. Entretanto, o que vale é a intenção.

Ontem foi um dia especial porque foi o aniversário de Jean-Luc Godard. Ele fez 83 anos e é um dos meus cineastas favoritos, como já disse por aqui. A questão é que eu já tentei várias vezes fazer um post sobre ele, mas simplesmente não consigo decidir por onde começar. Ok, poderia começar falando da vida dele, que ele é franco-suíço, estudou na Sorbonne e escreveu na Cahiers du Cinema. Poderia falar também que ele é um dos principais nomes da Nouvelle Vague, movimento artístico do cinema francês que começou na década de 60, que ele era amigo do Truffault e tal. Mas gente, isso tá tudo na wikipedia, haha. Sério, não vejo sentido em transpor tudo isso pra cá só pra ter no meu blog.

Então, pensando nisso, resolvi escrever as razões pelas quais eu gosto dele. O que faz bem mais sentido porque a época em que eu comecei a gostar Godard – o que é bem recente! –  foi a época em que eu conheci alguns dos meus melhores amigos.

Eu já tinha assistido Acossado – o primeiro longa de Godard – em uma aula na faculdade, mas nem liguei. No ano passado, nosso grupo de estudos de cinema, o Teorema, resolveu fazer um especial Godard e decidimos estudar a filmografia dele.

Começamos pelo Acossado, que já consegui ver com outros olhos. Mas quando eu vi Uma mulher é uma mulher é que tudo mudou. Eu nunca ia imaginar que alguém pudesse contar uma história de casal, um conflito tão comum em vários filme, de um jeito tão diferente. Eu não vou tentar explicar aqui pra vocês o que é diferente. É tudo, basicamente. O trabalho com a câmera, com o som, com os atores, a decupagem, a arte. Preciso de um post só pra falar disso, haha. Depois desse, vi Bande a part, La Chinoise, Le Petit Soldat, Elogio ao amor, Pierrot le fou, Viver a vida, Film Socialisme e outros (não necessariamente nessa ordem).

Nem todos eu acho super legais, alguns são chatos, outros continuo não entendendo, mas o que ficou pra mim e que me faz gostar tanto do Godard é que ele mostrou que é totalmente possível fazer um filme totalmente diferente de todos os outros. É possível inventar novas regras, novas metáforas, novas perspectivas e, na boa, f***-se, trate de fazer um esforço e pensar um pouco no filme antes de dizer, échatonãoentendinada.

Deleuze disse que Godard, na verdade, inaugura um cinema de pensamento. Não é que ele fez um pensamento sobre o cinema, ele fez o cinema pensar e tem uma grande diferença nisso aí, hein? Vamos pensar, haha.

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Apesar de todo o mal-humor e de ele não gostar que as pessoas gostem dele e dos filmes dele, Godard nem imagina que ele uniu um grupo de pessoas de tal forma que algumas foram até morar com as outras.

Por causa dos nossos estudos, acabamos fazendo um curta inspirado no Godard – que não está no youtube, Otávio e criamos um núcleo chamado Film Socialisme. Foi uma das melhores épocas do nosso grupo e se não fosse por isso, não teria encontrado as pessoas tão lindas que eu amo tanto até hoje, haha.

Não lembro muito bem porque os estudos acabaram. Acho que as pessoas decidiram que era hora de mudar. A verdade é que depois de Godard, as reuniões do grupo não foram muito pra frente, hahaha! Enfim, eu continuei vendo filmes, lendo livros sobre ele, etc, porque Godard é de fato uma inspiração. Pode achar que é pseudagem falar isso, mas acho que o mínimo que a gente deve fazer antes de pegar uma câmera é pensar. E foi o que eu disse no outro post, precisamos de outros olhares, outras sensibilidades. E pra isso Godard é um prato cheio, porque ele pega e faz do jeito louco porém sábio dele e pronto. Não pergunta se você gosta, se você quer. Apenas aceite e pense sobre isso.

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E cá estou eu, de novo, não sabemos mais o que falar sobre essa criatura. É estranho isso, né? Você fica ansioso pra falar sobre algo e quando chega a hora é tanta informação que quero despejar que não dou conta. Vou postar logo, antes que eu desista ou então que eu fique reeditando e reeditando aqui, hahaha.

Godard gravou agora seu primeiro filme em 3D, o Adieu au Langage, e estamos todos curiosíssimos pra ver o que esse senhor vai aprontar dessa vez. Feliz aniversário atrasado e obrigada aos amigos lindos que toparam embarcar nessa aventura do cinema de Godard que, acho, não tem mais volta, haha.

Au revoir!

Uma inspiração: Anna Karina – parte 3

Mais uma vez Anna Karina está no blog e por um motivo especial: hoje é seu aniversário! Sim, Anna Karina está completando 73 anos. Ela está uma senhorinha, mais mantém o estilo. Parece que não vai nunca abrir mão da franjinha e do delineador!

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Como já comentei em outros posts, Anna dançava, cantava, pintava e atuava muito bem. Então, para celebrar essa data, escolhi falar sobre o filme protagonizado por Anna que eu mais gosto, Une femme est une femme.

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Como já falei, é um dos meus favoritos de Godard. Resumindo bem, o filme conta a história de uma dançarina, Angela, que vive um dilema: ela quer ter um filho. Mas seu marido/namorado, Émile, não quer. No meio desse conflito, ainda tem um amigo de Émile, Alfred, que gosta de Angela e fica tentando umas investidas.

Assim como em outros filmes de Godard, a arte é muito bem trabalhada nesse, destacando as cores vermelho e azul. A vibe é toda bem alegrinha, tudo muito colorido, com um quê de comédia. Li uma vez em algum lugar que Godard se inspirou nos filmes de Keaton para as atuações de Une femme. Se é verdade ou não, não sei, mas faz bastante sentido. As atuações são exageradas e me parecem até teatrais. De certa forma, me dá a impressão de que as vezes ele ironiza as relações entre casais através disso.

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Fico na dúvida se o filme poderia ser classificado como musical também. Acho que eu falaria que ele é meio a meio. Tem muita música, mas quase todas elas parecem ser acionadas pelas ações de Angela, como no trecho lá de baixo. Essa questão sempre me pegou por causa de uma cena que tem logo no início do filme – mostrei no Anna Karina, parte 2. Angela está no cabaré, se preparando para sua apresentação. Um piano começa a tocar e ela entra em cena. Quando ela canta, porém, o som do piano some e ouvimos somente sua voz. Isso me dá a sensação de que o som que ouvimos é o que Angela ouve dentro da cabeça dela. Como se todos os sons fossem guiados pelo interior dela. Sacaram? Não? Não importa, estou viajando aqui também, haha! A trilha é do Michel Legrand e ainda não encontrei pra download : (

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Acho que já falei antes, mas se você nunca viu nada de Godard, acho que é uma boa começar com esse. Acho que é um filme que virou referência em vários âmbitos. Na moda, principalmente, tem vários ensaios inspirados no estilo de Angela. Inclusive algumas marcas lançaram catálogos todos no estilo de Une femme. É só dar uma futicada no google que vocês encontram.

Pra finalizar, escolhi uma das cenas do filme que eu mais gosto pra mostrar pra vocês! Acho que ela condensa todas essas impressões das quais falei aqui.

E aí, o que vocês acharam? Pra quem já assistiu, quais as suas impressões? : )

Começo e final de festa!

Oi chicos e chicas! O dia está quase terminando e eu queria agradecer de coração a todo mundo que deixou recadinho de feliz aniversário pra mim! Obrigada mesmo! ; )

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E é com muita alegria que eu digo: estou 99,99% mudada pra casa nova! \o/ Faltam umas bugingangas que ficaram em casa, mas tenho tudo que preciso, uma mesa organizada, lugar pra estudar e etc. Agora vou voltar a rotina normal de trabalho e estudo e de posts no blog!

Essa semana postei no instagram algumas fotos das minhas etapas de mudança, mas ainda falta um detalhe especial pra casa ficar completa. Então, quando tiver tudo nos trinques faço um post especial.

Pra finalizar, deixo essa mensagem que a Lívia, minha irmã, fez pra mim quando ela era mais nova. Cartinhas de crianças são as melhores, hahaha!

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