Luz, laser, ação!

É aquele ditado, não coloquem dois jovens com uma câmera num estúdio fechado com luzes, máquina de fumaça e laser…

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Precisamos falar sobre o Kevin

Quando vou assistir a um filme, procuro assisti-lo de verdade e não ficar prestando atenção nas questões mais técnicas e estéticas, coisa que eu gosto muito. É difícil, principalmente quando se trata de tudo que envolve a arte, cores, luz e enquadramentos.

Em alguns filmes, essas escolhas estéticas saltam aos olhos e elas estão relacionadas com a direção propriamente dita, ou seja, como as cenas vão ser filmadas, como serão os enquadramentos, movimentos de câmera, posicionamento dos personagens e etc. Isso seria o trabalho básico do diretor,  combinado, claro, com os outros elementos como o desenvolvimento do roteiro, a arte, a atuação e a fotografia. Um exemplo de direção em que isso tudo fica muito evidente são os filmes do Wes Anderson, que muitos de vocês devem conhecer. Aliás, acho que a fama dele vem desse estilão que ele acabou criando com o tempo.

Como curiosa e pessoa que curte fazer filmes com os amigos de vez em quando, gosto muito de prestar atenção nesses detalhes. Como combinar essas escolhas estéticas com a história que queremos contar? Isso é, pra mim, a essência do cinema, é a forma como alguém mostra aquilo que quer mostrar. Essas escolhas criam filmes completamente diferentes, com climas diferentes e sentidos diferentes.

Mas vamos ao assunto. Tudo que eu falei até agora é só pra contar que eu assisti Precisamos falar sobre o Kevin recentemente e alguns planos (nesse caso, falo mais especificamente dos enquadramentos + direção de arte) me chamaram muita atenção.

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Precisamos falar sobre o Kevin é um filme sobre a relação de uma mãe, Eva, com seu filho, Kevin, ao longo do tempo. Relação bastante conturbada emocionalmente. A história não é contada de forma linear e também não é muito explícita. Às vezes dá pra ficar um pouco perdido na ordem dos acontecimentos. O filme é tenso, Eva é uma personagem bem triste e as tentativas de relacionamento entre ela e Kevin são bem duras.

Acredito que as cores, os posicionamentos dos personagens e a composição dos elementos no quadro são muito responsáveis por nos mostrar como a relação deles se desenvolveu, como Eva é sempre assombrada pelo fato de ser mãe e como ela e Kevin, embora sejam muito distantes, têm várias coisas em comum.

Essas composições, então, acabam ajudando a criar, digamos, uma unidade emocional da história e do que os personagens estavam vivendo, sentindo ou pensando. Principalmente porque essas composições se repetem ao longo de todo o filme, em diferentes momentos. Acho que isso é bem potente porque, nesses casos, não é necessário um diálogo pra gente entender o que está acontecendo. O sentido vem junto com a forma como as coisas estão colocadas na tela.

Não dá pra esquecer de falar das cores que, vocês devem ter notado, tem um destaque bem grande, principalmente o vermelho e o azul. Eva está sempre envolvida pelo vermelho e Kevin, pelo azul. Mas, por exemplo, Eva pinta seu quarto de azul, num determinado momento, e Kevin usa vermelho, em outro. Embora eles raramente estejam próximos um do outro, estão sempre em posições opostas ou de enfrentamento, o uso das cores ao longo do filme ajuda a criar essa conexão entre mãe e filho, apesar de todos os problemas que os envolvem.

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Acho que até quem não assistiu ao filme, consegue perceber esse climão que a história tem, só de ver esses frames, vocês concordam?

Enfim, fiz essa análise, mas não tenho uma conclusão sobre o assunto e nem acho que tenho que ter, na verdade. Como falei, apenas gosto de observar esses elementos e tentar aprender alguma coisa. E achei que seria legal compartilhar com vocês  meus pensamentos e minhas percepções sobre esse filme.

Gosto muito de ver um trabalho bem feito assim e é realmente motivador e inspirador pra quando estamos criando nossas próprias coisas. Só pra deixar claro, não acho que tem que ser regra, não acho que um filme que não tenha essas coisas que eu observei aí em cima seja ruim ou pobre ou preguiçoso. Cada filme é um filme e é muito bom ver quando algo dá certo, sendo feito das mais diversas maneiras que se pode fazer.

Vocês já assistiram Precisamos falar sobre o Kevin? Tiveram impressões parecidas com o que descrevi ou não, não tem nada a ver tudo isso que falei? Me contem aí!

O vermelho em Kumiko, a caçadora de tesouros

Se tem uma coisa que me fascina demais no cinema é a forma como as cores são trabalhadas. Não só sobre como é definida a paleta de cores, como serão os figurinos, cenários, etc… Mas a maneira como uma cor pode ajudar a contar a história. E isso foi uma das primeiras coisas que pensei depois que o filme Kumiko terminou.

Mas tudo bem, vamos por partes. Kumiko, a caçadora de tesouros é um filme de 2014 escrito e dirigido pelos irmãos Nathan e David Zellner. Ele conta a história de Kumiko, uma mulher japonesa que um dia descobre uma fita VHS do filme Fargo. Após assisti-lo, Kumiko passa a acreditar que ele mostra a localização de um tesouro escondido nos EUA e se torna seu objetivo encontrá-lo.

Gostei muito da história, achei bem original. Caçar tesouros, seja ele qual for, não é um tema fora do comum, mas acredito que o filme se tornou interessante muito por causa de Kumiko. Ela é uma personagem interessante. Ao mesmo tempo que é delicada e inocente, não larga mão de sua obsessão e tem uma coragem danada pra enfrentar os problemas que essa caçada coloca na sua frente.

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Pois bem, além da história, me chamou muito atenção como o vermelho é uma cor guia durante todo o filme. Parece meio clichê, o vermelho sempre é utilizado quando se quer destacar algo (claro, quando ela não é já a cor predominante).

Mas, aos meus olhos, o vermelho nesse filme quase que se torna um personagem. A cor, além de fazer o papel de destacar Kumiko do restante dos ambientes, com seu casaco vermelho, meio que condensa elementos importantes da história: Fargo, seu objetivo, o tesouro, mas também sua origem, sua identidade e o destino de sua vida. Aquilo que pode salvá-la, no meio de uma cidade coberta de gelo, e aquilo que pode levá-la

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Acho que as imagens acabaram ficando um pouco pequenas por causa do layout do blog (vocês podem clicar pra ficarem maiores e assistirem ao trailer), mas espero que tenham conseguido entender o que eu descrevi. Apesar de ser chamativo, o vermelho se tornou um pontinho sutil no filme, que vai marcando os passos de Kumiko na jornada e não nos deixa esquecer quem ela é e o que está perseguindo.

E o filme é bonito demais, gente! Acho que já deu pra notar pelos frames, né? E fica na medida certa entre o drama e uma super tensão da aventura de Kumiko. Quando eu crescer quero fazer filmes assim!

Site oficial do filme.

Um pontinho rosa

Eu tenho essa mania de ir colecionando fotos, imagens, frames de filmes, pôsteres e etc que eu acho bonitos. De repente, de tanto olhar pra eles, ou por alguma coisa estranha que acontece no meu cérebro, algumas dessas imagens começam a fazer sentido juntas, como se fizessem parte do mesmo universo, e começo a imaginar histórias a partir delas.

Foi isso que aconteceu com essas aí. Eu nem gosto de cor-de-rosa, não sei porque fui atraída por elas! Mas enfim, só sei que pra mim funciona como um ótimo exercício de criatividade e imaginação, além de ir colecionando inspirações pra… qualquer coisa! Mas não, não me peçam pra organizar meus pensamentos e contar que coisas fico imaginando porque aí já é muito! Cada hora pipoca uma coisa diferente na minha cabeça e eu provavelmente deveria anotar tudo isso, né? Quem sabe surge uma boa ideia dessas loucuras da minha cachola!

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Fez sentido pra vocês? Sou a única que faz isso? Sou louca? Hahaha!

Não sei, gente, só sei que acho incrível como um pontinho (ou um pontão!) de cor aqui e ali fazem toda a diferença na composição final. E valeu a pena dar uma chance pro rosa na minha vida no fim das contas.

 

(Cliquem nas fotos para os links originais o/)

Paleta pastel candy color baby

Não sei como definir essas cores, acho que pode ser pastel, tem gente que fala candy color e geralmente se fazem referências com cores de coisinhas de bebê. Mas a verdade é que nos últimos tempos percebi que eu juntei várias ilustrações e fotografias que tem predominantemente tons pastéis.

É engraçado, porque nunca fui de gostar de rosinha, azulzinho… Acho que não tenho nada na minha cassa dessa cor. Mas por algum motivo, essas cores tem me chamado atenção recentemente e ficaram especialmente bonitas nessas ilustrações. Tanto que resolvi fazer algumas paletas.

Adoro isso porque a gente descobre como algumas cores que nunca pensamos que fossem ficar bem juntas podem fica harmônicas!

Aguas de maio – Ericka Lugo

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Alice in WonderlandGrace Cho

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CactusIrene Cabrera

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As cores de Shallow Grave

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David Stephens, Juliet Miller e Alex Law são amigos que dividem um apartamento em Edimburgo. Os três estão em um processo de entrevistas para encontrarem mais uma pessoa para dividirem a casa. De uma forma cruel e cômica, eles acabam recusando várias das pessoas, até que decidem oferecer a vaga para um homem mais velho chamado Hugo.

Depois de um tempo que ele já havia se mudado, os três notam que Hugo não saía do quarto. Como a situação estava estranha, eles decidem entrar para ver o que estava se passando e acabam descobrindo Hugo morto, pelado, na cama. Eles vasculham as coisas do cara e acabam descobrindo uma mala com muito dinheiro.

Esse é uma sinopse do filme Shallow Grave – ou Cova Rasa, em português – dirigido por Danny Boyle. Mais do que isso não vou contar. Agora vocês vão ter que assistir. E acrescento: vale a pena.

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Logo no início do filme, nos primeiros planos, já dá pra ter uma ideia do trabalho detalhado e preciso da direção de arte. As cores são muito bem trabalhadas e a sensação que eu tenho é que, de fato, todos os elementos foram pensados para serem daquela cor e estarem naquela posição.

Num primeiro momento, achei o filme bem colorido. Depois de algum tempo assistindo, fui percebendo que havia uma paleta de cores fixas com algumas pequenas variações.

Verde, azul, amarelo e vermelho sempre estão presentes em todos os planos de alguma maneira. Acho que qualquer um consegue notar bem facilmente isso. As cores são muito vibrantes e me lembram giz de cera, sabe? Parecem as cores básicas daquelas caixinhas que vinham com 6 ou 8 gizes.

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É legal observar a forma como eles brincaram com as cores. Se vocês repararem bem, tem sempre uma cor que cria um contraste com as outras e cria um ponto de atenção na cena. Num plano em que predominam as cores amarelo e verde, por exemplo, tem a almofada vermelha discretamente aparecendo. Nas cenas da cozinha, que é um ambiente todo amarelinho bem claro, sempre há um objeto que quebra esse tom pastel, frutas de cores vibrantes, as plantas ou um objeto de decoração. Nesse plano da biblioteca isso fica bem marcante com os abajures verdes contrastando com os tons marrons que predominam o ambiente.

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Tanto eu como o Dudu, depois de assistirmos o filme, ficamos com a sensação de ele se passa dentro de uma casa de bonecas. É difícil explicar da onde veio essa impressão, mas temos algumas pistas sobre certos aspectos do cenário e da iluminação contribuem para isso.

O apartamento tem um pé direito muito alto e os cômodos são bem amplos. Com os enquadramentos que o diretor fez em alguns planos – como aqueles primeiros da entrevista – os objetos de cenas e os próprios atores parecem bem pequenos em relação ao ambiente. E quando a gente brinca de casinha é meio assim, né? Usamos brinquedos de diferentes tamanhos, as vezes muito menores ou muito maiores do que deviam. Então, acho que essa característica criou um aspecto meio irreal nas cenas.

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Bom, é uma comparação misteriosa, não sei da onde veio essa sensação de casa de bonecas. Desconfio que sejam essas as razões. Se alguém mais consegue pensar em outras razões, me conta aí!

Enfim, eu acho fascinante esse trabalho! A diretora de arte de Shallow Grave se chama Zoe MacLeod, mas não conheço nenhum dos outros filmes em que ela trabalhou. De qualquer forma, mandou bem, Zoe! Pensar nas cores, na composição do cenário, em como a iluminação influencia nisso tudo… deve ser delicioso! Principalmente em um filme como esse, em que a parte da arte ganhou tanto destaque.

Por hoje, é isso tudo! Espero que tenham gostado da dica! Assistam, hein, vale a pena!